LIVROS

NOVIDADES

A primeira novidade desta semana é que a lista geral tem nove livros diferentes em relação à semana passada. Alguns velhos conhecidos retornaram, como A cabana (Arqueiro) e Diário de um banana (Vergara e Riba), enquanto outros recém-lançados deram ar de renovação aos mais vendidos. Duas estreias merecem destaque: O melhor de mim (Arqueiro), de Nicholas Sparks, que vendeu 2.341 exemplares,e Sentimentos do mundo, de Carlos Drummond de Andrade (Companhia de Bolso), com 1.356 livros. Por coincidência, Sparks e Drummond mudaram de casa, e os dois títulos marcam a estreia dos autores nas respectivas editoras. O autor americano, dando mostras de que continua dando o melhor de si, alcançou também a primeira colocação na concorrida lista de ficção. O x da questão (Primeira pessoa), de Eike Batista, manteve a liderança por apenas 99 livros de diferença em relação a É tudo tão simples (Agir), de Danuza Leão. Na lista de autoajuda, Ágape (Globo) ficou na primeira colocação, mas vendeu apenas 1.870 exemplares, bem menos do que os 6.720 da semana passada. Na compilação infantojuvenil, nem príncipe, nem banana, ganhou o mais voraz! Jogos vorazes (Rocco) deixou todos os concorrentes para traz vendendo 2.067 cópias. No ranking das editoras, as novidades mantiveram a Sextante em primeiro lugar com o mesmo numero de livros, 17; levaram a Ediouro para o segundo, com oito, e colocaram a Companhia das Letras na quarta posição, com seis livros.

 Fonte: www.publishnews.com.br por Cassia Carrenho

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GRÁFICAS

Nos bancos escolares, os estudantes brasileiros estão estudando em livros impressos na China, Índia, Coreia, Colômbia e Chile. Em 2011, editoras que fornecem material para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), do governo federal, ampliaram em quase 70% as encomendas no exterior, estimam empresários da indústria gráfica. Os motivos são o câmbio e o custo Brasil. A consequência foi que boa parte das gráficas editoriais brasileiras trabalhou com alguma ociosidade a partir do segundo semestre de 2011, período em que elas costumam rodar livros didáticos. Em dezembro, representantes dos empresários e dos trabalhadores foram ao Ministério da Educação expor a preocupação com o crescimento nas importações. Principal cliente para as gráficas do segmento editorial, o governo responde por 24,4% das compras de livros no país, que somam cerca de R$ 4,5 bilhões. O presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), José Carlos Wanderley Dias de Freitas, que participou de uma das reuniões com empresários e trabalhadores do setor, disse ao Estado que o órgão não tem informações diretas sobre aumento nas importações de livros didáticos.

Fonte: O Estado de São Paulo por Marcelo Rehder

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VIRGINIA

A Medida da Vida, que chega às livrarias brasileiras trata dos últimos anos da escritora inglesa. Esses “last years”, embora ao longo do livro o autor também toque nos anos de formação da biografada, na verdade se referem à última década de Virginia. Numa verdadeira tour de force, Herbert Marder vai fundo não só na vida, mas principalmente na obra da autora, mormente no que ela escreveu de 1931, ano da publicação de As Ondas, até 1941, quando ela se suicida, pouco depois de terminar Entre os Atos. No prelúdio da biografia, Marder – nascido em Viena e criado em Nova York – conta que ainda jovem, antes de ingressar na faculdade, já devorava as obras de Virginia Woolf. Ao entrar na Columbia University seu interesse por Woolf continuou firme. Naquele começo da década de 1960, a reputação da escritora estava em baixa, mas já destinada a reerguer-se. Estranho é até hoje não ter saído no Brasil a mais completa biografia daquela que é considerada a maior ficcionista do século passado, escrita, por Hermione Lee (Chatto & Windus, 1996) e nem Leonard Woolf – A Life, por Victoria Glendinning (Simon & Schuster, 2006), duas obras seminais que devem caminhar lado a lado para a melhor compreensão da vida do casal e, no caso de Leonard, sua importância, na vida e carreira da mulher, importância quase sempre negligenciada por estudiosos. Sem Leonard Woolf não haveria a Virginia Woolf que o mundo conhece. Portanto, é importantíssimo conhecer o livro de Victoria Glendinning, a primeira a se prestar, magistralmente, ao esforço. Merece tradução. O último romance de Virginia Woolf, Entre os Atos, foi publicado postumamente, quatro meses depois de seu suicídio, em 28 de março de 1941. Virginia estava com 59 anos, dois meses e dois dias quando se afogou no Rio Ouse, meia milha da Monk’s House, sua residência campestre em Rodmell, no condado de Sussex (distante pouco mais de uma hora de trem de Londres). Deixara em casa cartas para o marido Leonard e para a irmã Vanessa (que morava perto, na fazenda Charleston). Nas cartas, ela escreveu ter certeza de estar ficando louca novamente. E desta vez sem esperança de cura. Para Leonardo, anotou: “Você foi absolutamente paciente comigo e incrivelmente bom. Se alguém pudesse me salvar teria sido você”. E termina: “Não creio que duas pessoas tenham sido mais felizes do que nós fomos”.

De fato, Virginia, que sempre temera a reação dos amigos e da crítica ao lançar novas obras, com Entre os Atos sentia-se mais apreensiva que nunca. Contudo, todos os que bem a conheciam tinham a certeza de que, como ela havia superado as outras crises, com tratamento e repouso, agora, sob os cuidados da médica e amiga Octavia Wilberforce acabaria superando mais essa. Todos acreditavam nisso, menos Virginia. Mesmo com a cabeça explodindo de ideias e projetos, sentia estar perdendo a energia criativa – e que seu tempo havia passado. Em A Medida da Vida, Herbert Marder publica um apêndice com as cartas da dra. Octavia a uma amiga sobre seu tratamento da crise final de Virginia. Na última, de 19 de abril de 1941, escreveu: “Na noite de quinta-feira eu sonhei nitidamente que Virginia tinha reaparecido, viva. Foi enorme a minha decepção quando acordei e vi que era um sonho”.

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LOBATO DIGITAL

As obras do principal autor brasileiro de livros infantis, suas adaptações de clássicos de importantes histórias da cultura universal e seus contos adultos estão agora disponíveis para leitura digital. No mês das crianças, a Globo Livros homenageia o escritor lançando Monteiro Lobato no formato e-pub, permitindo ao leitor ter acesso aos livros em equipamentos de e-reader (programa para leitura de livros digitais). São mais de 20 títulos criados por Lobato. Todas as aventuras vividas pelos famosos personagens do autor, tanto no Sítio do Picapau Amarelo, no Reino das Águas Claras, ou até mesmo em terras e tempos muito distantes, como ao resgatarem Tia Nastácia do labirinto de Creta em O Minotauro agora estão digitalizadas. Até personagens como o Gato Félix, Popeye, Dom Quixote e Peter Pan já fizeram visitas às terras de Dona Benta nas histórias contadas pelo escritor. Também seu único romance, O Presidente Negro, e sua coleção de contos adultos, com textos consagrados como Urupês¸ Cidades Mortas e Negrinha – importantes registros da vida no interior do Brasil nos anos 1910 – ganham versão digital, ampliando o acesso dos leitores à obra de Lobato. Uma das principais vantagens da versão digital desses livros é a facilidade de aquisição dos textos. A partir do momento em que são comprados via internet, eles são automaticamente transferidos para o e-reader do aparelho escolhido, sem o aguardo de envio ou o pagamento de fretes – elementos que podem encarecer o valor de um livro impresso. Além disso, a tecnologia e-pub permite que o conteúdo das obras se adaptem a qualquer tela, com variação inclusive no tamanho das letras e das figuras, ajustadas por cada pessoa de acordo com sua preferência. Desta forma, os textos podem ser abertos em e-readers instalados em computadores, tablets ou até mesmo celulares. Os e-books podem ser adquiridos nas principais lojas virtuais do país.

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DUBLINESCA

Leia trecho de Dublinesca, o novo romance de Enrique Villa Matas, lançado recentemente no Brasil pela Cosac Naify. Um romance com as obsessões já conhecidas pelos fãs do autor: a ligação entre a vida e a literatura; a insatisfação que leva os personagens a assumirem identidades diferentes; o isolamento e o fim irremediável da condição humana.

Sinopse – narra a história de um renomado editor catalão, Samuel Riba, que chega à meia-idade imerso numa profunda crise existencial, amorosa, sentimental e histórica. Abstêmio e aposentado, trocou o álcool pelo computador e ressente-se da falta de uma vida social agitada, com autores e eventos literários. Riba deseja estar em Nova York, “o centro do mundo”, onde vive seu amigo Paul Auster. Mas seu provincianismo, e a vontade de dar o que chama de “salto inglês”, o faz buscar refúgio em Dublin, na Irlanda. Lá, guiado pelo Ulysses, de James Joyce, e imaginando-se testemunha da grande crise editorial do século – o atropelo do livro impresso pelo digital –, Riba pretende comemorar o bloomsday e promover um “funeral íntimo” de uma época: velar a passagem da era de Gutenberg para a do Google.

“Pertence à estirpe cada vez mais rara dos editores cultos, literários. E, comovido, assiste todos os dias ao espetáculo de como o ramo nobre de seu ofício – os editores que ainda leem e que sempre foram atraídos pela literatura – vai se extinguindo sigilosamente, no começo deste século. Teve problemas há dois anos, mas soube fechar a tempo a editora que, no fim das contas, mesmo tendo obtido um notável prestígio, caminhava com assombrosa obstinação para a falência. Em mais de trinta anos de trajetória independente, aconteceu de tudo, sucesso, mas também grandes fracassos. A falta de rumo da etapa final ele atribui a sua resistência a publicar livros com as histórias góticas da moda e outras bobagens, e dessa forma esquece parte da verdade: que nunca se distinguiu por sua boa gestão econômica e que, além disso, talvez pudesse ter sido prejudicado por seu fanatismo desmesurado pela literatura.

Samuel Riba –Riba para todo mundo– publicou muitos dos grandes escritores de sua época. De alguns, apenas um livro, mas o suficiente para que estes constem de seu catálogo. Às vezes, embora não ignore que no setor honrado de seu ofício restam em atividade outros valorosos quixotes, ele gosta de se ver como o último editor. Tem uma imagem algo romântica de si mesmo e vive numa permanente sensação de fim de época e fim de mundo, sem dúvida influenciado pela suspensão de suas atividades. Apresenta uma notável tendência a ler sua vida como um texto literário, a interpretá-la com as deformações próprias do leitor empedernido que foi durante tantos anos. Está, além disso, à espera de vender seu patrimônio Continue lendo »

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