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TINTA DA CHINA

O historiador Robert Darnton escreveu sobre como era a produção dos livros no século XVIII: “Cada folha de papel era produzida individualmente, com um procedimento esmerado, e diferia de todas as outras folhas do mesmo volume. Cada letra, cada palavra e linha era composta segundo uma arte que dava ao artesão uma possibilidade de exprimir sua individualidade. ” O esmero visual foi sendo perdido ao longo da história por muitos fatores, entre eles a busca das editoras por impressões cada vez mais baratas. Porém, algumas ainda procuram ver o livro como objeto de arte. É o caso da editora portuguesa Tinta-da-China, que chegará ao Brasil e às livrarias brasileiras em março deste ano. O nome, em Portugal, significa o mesmo que nanquim, no sentido que é usado no Brasil. Todos os volumes trazem uma marca própria: uma mancha preta em suas lombadas. Segundo a diretora editorial e fundadora da Tinta-da-China, Bárbara Bulhosa, os livros publicados são selecionados devido, principalmente, à qualidade literária das obras. “Não são livros direcionados para a massa, não trabalhamos com best-sellers. São livros feitos para pessoas que realmente gostam de ler”, diz. Não que sejam livros de leitura difícil, erudita, mas, sim, produções literárias de qualidade. De acordo com Bárbara, a editora também se esmera para criar projetos gráficos que deixam as edições visualmente atraentes. A Tinta-da-China Brasil terá sede no Rio de Janeiro. Conforme informou Bárbara, ela continuará dirigindo o departamento editorial e a comunicação da empresa – mesmo residindo em Portugal –, e terá apoio de outros dois sócios que moram no Brasil: a brasileira Luciana Terrinha, responsável pela administração, e o português Pedro Gomes, que dirigirá o departamento comercial. A editora terá ainda um assistente editorial. Em Portugal, a Tinta-da-China possui lugar de destaque e espera alcançar o mesmo no Brasil. Bárbara esteve no ano passado na bienal do livro do Rio de Janeiro e disse ter ficado impressionada com a quantidade de livros comercializados. “O mercado editorial brasileiro está em franca expansão”, conta a diretora, e, em seguida, explica o seu encanto pelo Brasil: “As livrarias brasileiras são fantásticas”. Os primeiros autores que serão publicados no Brasil são os portugueses Alexandra Lucas Coelho, Dulce Maria Cardoso e Ricardo Araújo Pereira. A editora procura, como uma de suas prioridades, lançar autores portugueses que não são conhecidos por aqui. O catálogo completo pode ser visualizado pelo site. A distribuidora Superpedido será responsável por encaminhar os livros da Tinta-da-China às livrarias brasileiras. Grandes redes como Saraiva, Cultura, Livraria da Vila e Travessa contarão com os exemplares da editora portuguesa em suas lojas. Inicialmente, as obras serão distribuídas nas cidades São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto, no entanto, visa a expansão para várias regiões do país.

Por Flavia Leal em www.publishnews.com.br

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ARTE E TECNOLOGIA EM SP

São Paulo recebe até o dia 21 de agosto a 12ª edição do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (File). O evento é gratuito e será realizado em diversos lugares, como a Galeria de Arte do Sesi, no Conjunto Nacional, no Centro Cultural São Paulo e no vão livre do Masp. Além das tradicionais palestras, mesas-redondas e workshops sobre realidade aumentada, arquitetura computacional e outros recursos tecnológicos que viram suportes e/ou linguagem artística, o festival levará a arte para a rua. Mais precisamente, à Avenida Paulista, que ganhará obras de arte interativas.

Um dos destaques deste ano é o artista plástico belga Lawrence Malstaf, que apresentará a obra Shrink. Nela, corpos de performers serão embalados com tecnologia a vácuo como se fossem objetos plastificados.

Outro exemplo disso, além de Shrink, é Via Invisível, de Soraya Braz e Fábio Fon. Na obra, leds instalados em nove saídas da linha verde do metrô possibilitarão que as pessoas vejam como agem as ondas de seus celulares. A obra muda de acordo com o número de telefones ao redor, transformando-se a todo instante. Os artistas têm a intenção de chamar a atenção para o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a possibilidade de os aparelhos causarem câncer. Já a obra Conversacube, da norte-americana Lauren McCarthy, tem uma proposta mais divertida. Ela consiste em uma caixa que fica no meio dos participantes de uma conversa. Cada um fica em frente à uma face da caixa, que tem uma pequena tela e microfones embutidos em seu interior. À medida que a conversa progride, cada pessoa recebe instruções ou frases personalizadas para manter o diálogo fluindo sem qualquer pausa constrangedora ou desconforto. Uma saída e tanto para aqueles mais tímidos.

A união entre arte e tecnologia, porém, não se resume às artes plásticas. Quem não gosta de instalações, objetos, performances e afins, poderá assistir a mais de quatrocentas animações, a filmes que têm avatares como atores, jogar videogame, testar aplicativos para tablets e até dançar ao som de música eletrônica. Quem gosta do estilo, contará com quatro dias de programação. Sete artistas, entre brasileiros e estrangeiros, que criaram novos parâmetros musicais a partir da tecnologia, se apresentarão entre os dias 19 e 22 de julho, no Teatro do Sesi. Outra opção é participar das palestras e mesas redondas que terão especialistas brasileiros e estrangeiros trazendo as últimas novidades de suas áreas. O músico Eduardo Luís Brito, por exemplo, falará do uso de instrumentos musicais digitais para compor. Já o norte-americano Matt Roberts, especialista em performance de vídeo em tempo real e aplicativos para novas mídias, discutirá como criar arte em tempo real com a interação dos usuários. Ambos partirão de suas próprias experiências e de estudos recentes para ampliar o debate. Haverá, também, a possibilidade de colocar a mão na massa e aprender como concatenar arte e tecnologia, fazendo um workshop de video mapping. A técnica utiliza filmes, software de edição, supercomputadores e luz para fazer projeções em fachadas de prédios, paredes e etc.

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LEILÃO

Andy Warhol, Francis Bacon, Miguel Barceló, Juan Muñoz, Lucian Freud e Peter Doig serão os principais nomes de um leilão de arte britânica contemporânea programado para hoje, 28, na Christie’s, em Londres. Serão vendidas duas das obras mais famosas de Warhol, principal nome da Pop Art: Little Electric Chair, de sua série Morte e Desastre, e a serigrafia Mao, inspirada no líder comunista chinês Mao Tsé-tung, avaliadas em US$ 3,5 milhões e mais de US$ 12,8 milhões, respectivamente. Com preço estimado em entre US$ 2,4 milhões e US$ 3,1 milhões, o quadro Faena de Muleta, da mais importante série de pinturas que o espanhol Barceló realizou sobre o mundo das touradas, é outro destaque do leilão. Entre as outras obras figuram uma série de trabalhos em papel de Lucian Freud, maior pintor realista vivo da Inglaterra, como Woman Smiling, com um preço estimado de US$ 7,2 milhões. O quadro é o único retrato individual da amante do artista, Suzy Boyt, que se transformaria em sua esposa e mãe de quatro de seus filhos. De Juan Muñoz, serão leiloadas esculturas avaliadas em entre US$ 4,8 milhões e US$ 8,1 milhões, enquanto Peter Doig, um dos pintores mais cotados do mercado, estará representado pela pintura Red Boat (Imaginary Boys), com preço estimado em entre US$ 2,2 milhões e US$ 2,8 milhões. Além disso, serão oferecidas obras de Germaine Richier, Illya Kabakov, Chris Offili, Ron Mueck e Lúcio Fontana.

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FOTOGRAFIA

Cliques ao acaso, interpretação da realidade pelos olhos de alguém, poesia em cores sem palavras e muitas outras denominações posso usar para determiná-la. A discussão se ela é arte ou não também vai muito além das lentes e, embora a fotografia tenha o poder de eternizar momentos pode ser facilmente produzida e reproduzida, o que leva a inúmeras discussões acerca de sua estética artística. O fato é que desde os primórdios da captação de imagens com máquinas que exigiam grandes sacrifícios para se tirar uma foto até os tempos atuais onde as máquinas digitais, com toda a tecnologia sonhada um dia permitem extravagâncias como apagar ou aumentar as imagens, o que realmente importa é o prazer do registro instantâneo de qualquer coisa. Os momentos que vivemos, sejam bons ou ruins, maravilhosos, inesquecíveis ou tristes, não acontecem mais da mesma forma. Podem até se repetir, mas serão diferentes. O prazer real está em guardar o tempo. E quando pensamos que podemos ter um instrumento que nos permite colocar o tempo num álbum, cd ou no computador nada pode ser mais encantador. As fotos são guardadas inconscientemente por categorias de sentimentos, aquelas que trazem saudade, as que trazem alegria, as que fazem as lágrimas virem vagarosamente, as que arrancam gargalhadas. Todas tem algo em comum: o registro eterno de um instante, de um tempo que já passou há anos, meses, dias atrás. A partir de 1927, apaixonado por Flaubert e Baudelaire, o fotógrafo americano Walker Evans desistiu de uma idealizada carreira literária e dedicou sua vida à fotografia. Possuía o olhar atento diante da vida das ruas. Por causa dele, pela primeira vez, a fotografia como obra de arte podia ter a mesma aparência que qualquer outra fotografia e mostrar tudo, desde botas velhas até um passageiro de metrô ensimesmado em seus pensamentos. Segundo Evans as profundezas do metrô constituíam um “lugar ideal para qualquer fotógrafo de retratos farto do estúdio e dos horrores da vaidade”. Com seu estilo eliminou as barreiras entre o belo e o feio, o importante e o trivial e proporcionou, historicamente, ferramentas para artistas das gerações seguintes que viriam. A qualidade artística de um fotógrafo deve basear-se unicamente na clareza, na inteligência e na originalidade da percepção, sendo profissional ou não. Chan, daqui de Jaraguá do Sul, exterioriza isso de forma esplêndida em belas fotos capturadas no auge da espontaneidade de pessoas e da natureza. Guarde, registre tudo o que considera importante e que valerá ouro no futuro para que a vida valha a pena quando olharmos para uma fotografia.

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