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ARTE MODERNA

A ruptura com o academicismo nas artes plásticas e a substituição do hendecassílabo pelo verso livre foram algumas das bandeiras da Semana de Arte Moderna, evento cultural realizado em São Paulo e que propiciou a renovação cultural do modernismo brasileiro. “Foi um grito de guerra”, disse à Agência Efe o professor e decorador assistente do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Denis Molino, para ilustrar o significado que teve a Semana como revolução na cultura brasileira, evendo que nesta segunda-feira completa 90 anos. A Semana de Arte Moderna foi um acontecimento realizado nas noites dos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922 no magnífico Teatro Municipal de São Paulo, transformado no palco de conferências, recitais de música e poemas, na qual participou um grupo de artistas que se rebelavam contra a forma fixa e os cânones estéticos do século XIX, imperantes na arte do Brasil. Ficam para a lembrança daquele vibrante acontecimento os assobios e vaias com as quais foram recebidas algumas das conferências e a ousadia do compositor Heitor Villa-Lobos, que surgiu em cena usando chinelos de dedo. Denis explicou que a Semana foi um evento “paulista” porque naquele momento a cidade “tinha essa abertura e era muito mais espontânea” que o Rio de Janeiro, naquela época capital brasileira e onde ficava a Academia de Belas Artes, guardiã da técnica, do apego à norma, da obra bem definida e de contornos acabados. “A ideia de transformação radical é mais propícia a São Paulo”, disse Denis, acrescentando que dali foi ganhando espaço no Brasil. A importância de São Paulo como crisol brasileiro foi recentemente reconhecida pela presidente Dilma Rousseff, que no dia 25 de janeiro recebeu a medalha de honra da cidade e pronunciou um discurso no qual disse que a cidade foi o motor do progresso econômico do país e o berço do modernismo cultural. A Semana é considerada como a semente da qual brotou o Modernismo brasileiro, embora seus principais expoentes, Mário e Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Tarsila do Amaral, Emiliano Di Cavalcantti e Manuel Bandeira, já tinham escrito vários capítulos de ruptura na década anterior, que serviriam para narrar a novela da mudança cultural. Inspirados em um espírito iconoclasta, os modernistas brasileiros bebem das vanguardas europeias como o Dadaísmo, o Futurismo e o Cubismo, mas com uma releitura tropical, em busca de um relato propriamente brasileiro e da construção de identidade. Denis, que também dá cursos de História da Arte no Masp, explicou que enquanto na Europa já se tinha produzido um processo de “destruição da ordem”, o Brasil tinha essa necessidade de afundar na originalidade, na liberdade artística, na ruptura dos cânones. Na sua opinião, esse movimento, que se manifestou em diferentes disciplinas artísticas, como pintura e música, teve especial impacto na literatura, onde aconteceu a separação da escola poética do Parnasianismo, baseada na estrutura métrica e na beleza formal, que gozava de ampla influência entre os poetas brasileiros. Nos primeiros compassos do Modernismo brasileiro – que se articularam em torno do Manifesto Antropófago, escrito por Oswald de Andrade em 1928 no primeiro número da “Revista da Antropofagia” – a proposta é fagocitar (digerir) a cultura estrangeira, mas revesti-la de elementos nacionais. “As pinturas de Tarsila, autora do famoso “Abaporu”, por exemplo, remetem ao Cubismo, mas com um discurso autóctone, com cores tropicais e a temática de fundo do interior rural brasileiro”, segundo Denis. Para o especialista, a Semana de Arte Moderna e o Modernismo tiveram seu impacto até os anos 60, mas a partir dos 70 se pulveriza a mensagem desse período de euforia, que, nas palavras de Mário de Andrade, constituiu “a maior orgia intelectual que a história artística registrou”.

Fonte: br.noticias.yahoo.com por Marta Berard

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FERREIRA GULLAR

O poeta Ferreira Gullar venceu o 1.º Prêmio Moacyr Scliar de Literatura por seu livro “Em Alguma Parte Alguma” (José Olympio). Realizado pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Instituto Nacional do Livro e Associação Lígia Averbuck, o prêmio priorizou, na estreia, a poesia. Em 2012, só livros de conto participam. Gullar ganhou R$ 150 mil e a editora, R$ 30 mil. Uma edição especial será distribuída para bibliotecas públicas do Estado. “Fiquei feliz não só porque é a primeira vez que ele é dado, mas também por ele ter o nome de Moacyr, que era um amigo muito querido, um companheiro fraterno e um grande escritor.”

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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PRIMAVERA ÁRABE

O espírito da Primavera Árabe encontrou uma expressão teatral com a ajuda de um dos mais celebrados iconoclastas da Grã-Bretanha, Mark Ravenhill, que deu tons contemporâneos à peça “Mãe Coragem e Seus Filhos” (1939), do alemão Bertolt Brecht, que aborda um protesto do começo do século 20. Seguindo os preceitos brechtianos, a peça tinha entrada franca  e até ontem, 4 de setembro, foi mostrada para mais de 250 mil espectadores em Londres. A primeira peça de Ravenhill, “Shopping and Fucking”, no começo da década de 1990, causou polêmica por causa do seu conteúdo de violência sexual explícita, mas foi saudada por sua crítica ao consumismo desenfreado. Desde então, o dramaturgo já trabalhou em vários projetos, inclusive consagradas encenações no festival Edinburgh Fringe, na Escócia. Agora, prepara o libreto de uma ópera a ser encenada em Oslo. Para Ravenhill, Brecht tem uma ressonância particularmente ampla, e pode dizer respeito aos países do Oriente Médio e Norte da África que vêm protestando contra seus governos, já tendo derrubado neste ano os regimes na Tunísia, Egito e Líbia. Segundo ele as peças de Brecht realmente viajam. Elas têm essa qualidade de fábula, você pode realmente imaginar uma plateia árabe compreendendo ‘Mãe Coragem’.” Além de adaptar o texto, Ravenhill também encarnará um dos personagens nas últimas apresentações da temporada.

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FIGUEIREDO E FERRONI

Anunciados anteontem como vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni devem se juntar aos ganhadores das três edições anteriores em viagens ao exterior promovidas pelo Itamaraty. O Ministério de Relações Exteriores informou ao governo do Estado de São Paulo o interesse em incluí-los em sua estratégia de divulgação da cultura brasileira em outros países.

O Prêmio SP é o maior prêmio do gênero em termos financeiros no espaço lusófono, com R$ 200 mil para cada vencedor, e faz parte do patrimônio nacional. A ideia é promover os autores com todas as ferramentas disponíveis. A iniciativa deve valer para feiras literárias e lançamentos das obras no exterior – “Passageiro do Fim do Dia”, o romance de Rubens Figueiredo vencedor na categoria livro do ano, ainda não teve direitos comprados, mas “Método Prático da Guerrilha”, que garantiu a Marcelo Ferroni o prêmio na categoria autor estreante, foi adquirido por editoras na Espanha, na Itália, na Alemanha e em Portugal.

A quarta edição do prêmio, cuja cerimônia de entrega aconteceu anteontem à noite no Museu da Língua Portuguesa, atraiu a inscrição de 221 romances publicados ao longo de 2010 – ante 146 da primeira edição, em 2008, como lembrou o secretário de Cultura, Andrea Matarazzo. A seleção final desta edição ficou a cargo de Ignácio de Loyola Brandão, Alexandre Martins Fontes, Ruy Altenfelder, Regina Dalcastagnè e Francisco Foot Hardman.

Ao ser anunciado vencedor na categoria autor estreante, Ferroni destacou a importância da premiação Continue lendo »

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ARTE

O artista plástico português radicado no Brasil Artur Barrio foi ganhador da edição 2011 do Prêmio Velázquez de Artes Plásticas. Este reconhece a universalidade da linguagem do artista nascido em 1945 em Portugal, que se expressa utilizando materiais não convencionais, como o lixo. Com a concessão desse prêmio, iniciado em 2002, o Ministério de Cultura da Espanha visa recompensar trabalhos destacados de criadores ibero-americanos no âmbito das artes plásticas, enfatizando sua contribuição à cultura espanhola e ibero-americana. Nos últimos anos, o Brasil tem tido uma participação importante, tanto no júri quanto com a premiação de artistas. Cildo Meireles, por exemplo, foi vencedor da edição 2008. O júri, presidido pela diretora geral de Belas Artes e Bens Culturais, Ángeles Albert, contou com a curadora da Tate Modern, Sheena Vanessa Wagstaff, a crítica de arte Alícia Murría, a artista, ganhadora do Prêmio Velázquez 2010, Doris Salcedo, e o diretor artístico do Museu Berardo, Pedro Lapa, entre outros.

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