José Manuel Caballero Bonald é um escritor espanhol cuja poesia e romances são caracterizadas pelo estilo barroco e cuidado perfeccionista da língua. Filho de mãe francesa e pai cubano. Professor de literatura espanhola e latino na Universidade Nacional de Colombia, poeta e romancista, além de pesquisador folclórico que escreveu monografias importantes sobre música popular e dirigiu um arquivo de gravação. Foi traduzido para várias línguas e ganhou o prêmio de poesia Boscn, na edição de 1958. Seu primeiro livro de poemas foi As adivinhações (1952), seguido de Memórias (1954), Anteu (1956), A hora da morte (1959), O papel do coro (1961) e Folhas de corda (1963). Estes livros foram agrupados em um único volume com o título Viver para Contar (1969). Mais tarde, o herói público Descredito (1977), Seleção Natural (1983) e Labirinto da Fortuna (1984), entre outros títulos. Sua poesia foi concebida como uma obra de nuances intelectuais que participaram da experiência e foram devidamente registradas na geração de 50.
Como romancista, Caballero Bonald já publicou vários livros relacionados ao Andalucaoa Baja. Em 2005 foi galardoado com o Prêmio Nacional de Literatura Espanhola, e em 2006 com o Prêmio Nacional de Poesia pelo livro “Manual de criminosos”.
Do livro Um livro, um vaso, nada (1926)
Todas as noites deixo
entre os livros a minha solidão,
abro a porta aos oráculos,
fundo a minha alma com o fogo
do salmista.
Que contrária
vontade de perigo me desvela,
quebra a vigilante
sede de viver na minha palavra.
Todas
as noites vivo inutilmente
a frustração do dia, recupero
as horas mortas da minha liberdade,
consisto no que fui.
(Mão esquecida entre os lençóis
rasga papéis, mancha o último
pedaço do meu sonho.)
Oh coração
sem ninguém – para quê
tantas páginas vãs, tantos
hinos vazios? Olha
em teu redor – que fica? Estamos
sós: toda
a vida cabe entre o calar
e o sonho. Aqui
a minha solidão é a minha alegria:
um livro, um vaso, um nada.
A tradução é de Egito Gonçalves e foi publicada em Poesia Espanhola do Após-Guerra, Portugália.
O escritor espanhol Javier Moro ganhou neste sábado a 60ª edição do Prêmio Planeta (o prêmio literário mais importante da língua espanhola) com seu romance ‘El imperio eres tú’, uma crônica minuciosa sobre a vida do imperador Dom Pedro I. O júri do prêmio, que distribui 601.000 euros para o ganhador, se pronunciou durante banquete para cerca de mil convidados, presidido pelos príncipes de Astúrias, dom Felipe e dona Letizia. O romance, apresentado na competição com o título de ‘El Emperador del fin del mundo’ sob o pseudônimo de Augustín San José, narra a vida de um dos monarcas mais surpreendentes e pitorescos, um homem que sempre esteve do lado da história, da liberdade, em uma época de monarquias absolutistas. Madrilense, filho de mãe francesa, Moro viajou por meio mundo e colaborou como jornalista ‘freelance’ com importantes meios de comunicação de língua hispânica e também no meio audiovisual, produzindo e roteirizando o filme ‘Valentina’ (1982), baseado no romance ‘Crónica del Alba’, de Ramón J. Sénder. Estiveram presentes à 60ª edição do prêmio, entre outros, a ministra da Cultura espanhola, Ángeles González-Sinde, o presidente do governo autônomo catalão (la Generalitat), Artur Mas, e o prefeito de Barcelona, Xavier Trias.
O artista plástico português radicado no Brasil Artur Barrio foi ganhador da edição 2011 do Prêmio Velázquez de Artes Plásticas. Este reconhece a universalidade da linguagem do artista nascido em 1945 em Portugal, que se expressa utilizando materiais não convencionais, como o lixo. Com a concessão desse prêmio, iniciado em 2002, o Ministério de Cultura da Espanha visa recompensar trabalhos destacados de criadores ibero-americanos no âmbito das artes plásticas, enfatizando sua contribuição à cultura espanhola e ibero-americana. Nos últimos anos, o Brasil tem tido uma participação importante, tanto no júri quanto com a premiação de artistas. Cildo Meireles, por exemplo, foi vencedor da edição 2008. O júri, presidido pela diretora geral de Belas Artes e Bens Culturais, Ángeles Albert, contou com a curadora da Tate Modern, Sheena Vanessa Wagstaff, a crítica de arte Alícia Murría, a artista, ganhadora do Prêmio Velázquez 2010, Doris Salcedo, e o diretor artístico do Museu Berardo, Pedro Lapa, entre outros.
O romance de estréia de uma desconhecida professora chegou tímido e sem nenhum holofote nas livrarias na Espanha, em junho de 2009. Embora com título interessante, “O Tempo Entre Costuras”, de María Dueñas, foi impresso com 3 mil cópias inicialmente pelo selo Temas de Hoy da editora Planeta. Apenas uma história comum no mercado editorial, se não fosse pelo o que viria a seguir.
O livro começou a ser indicado pelo famoso boca a boca, elogiado em blogs, o que fez com que as primeiras tiragens se esgotassem rapidamente. Caiu nas graças da imprensa e virou fenômeno. Atualmente, na 25.ª edição e com 550 mil cópias vendidas, 20 países compraram os direitos da obra, sendo 12 de outros idiomas. A primeira tradução sai nesta semana, no Brasil, com evento de lançamento hoje no Instituto Cervantes, em São Paulo. A autora está no país e participará de debate com a historiadora Mary Del Priore, com mediação de Laura Greenhalgh, editora executiva do Jornal O Estado de São Paulo.
A história acontece no antigo protetorado espanhol no Marrocos, onde, em meio à Guerra Civil Espanhola, a jovem costureira madrilenha Sira Quiroga convive com personagens reais num cenário em que as aparências dizem pouco sobre o que de fato acontece. Maria Dueñas disse acreditar que parte do sucesso se deve ao fato de ter recuperado um momento histórico pouco lembrado na ficção. “Como minha mãe cresceu no protetorado, eu tinha muita informação em primeira mão, e encontrei personagens esquecidos ao investigar.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
O Tempo Entre Costuras – Autora: María Dueñas. Local: Instituto Cervantes (Av. Paulista, 2.439). Hoje, 19h. Lançamento e debate.