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O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade será o homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) em 2012, quando o evento completa dez anos. O anúncio foi feito ontem no encerramento da 9.ª edição, que teve como homenageado o escritor Oswald de Andrade (1890-1954). As comemorações do décimo ano da festa também incluirão o lançamento de um livro com a história do evento, organizado pelo ex-curador Flávio Moura, e a reunião de imagens em vídeo. A Flip, segundo a organização, manteve o público entre 20 e 25 mil pessoas em Paraty – a pesquisa mais detalhada sai nos próximos dias.

A inglesa Liz Calder, idealizadora do evento, e Mauro Munhoz, diretor-geral da Casa Azul, ressaltaram as reformas percebidas na cidade, como a criação de um passeio ao lado do canal no centro histórico, onde ficaram todas as tendas. “O impacto na cidade ficou visível. Pudemos fazer algo que queríamos há muito tempo. Expandir e revitalizar um lado que tinha menos vida, preservando o lado histórico”, disse Munhoz. “Ganhamos mais espaço, mas mantivemos o caráter de intimidade do evento”, completou Liz.

Munhoz destacou o aumento de eventos paralelos da programação oficial (incluindo Casa da Cultura, Flipinha e Flipzona), que totalizaram 139 convidados – mas ficou clara também a expansão de atividades extraoficiais, como as programações preparadas pela Casa Sesc e a Casa do Instituto Moreira Salles. Outra característica perceptível para visitantes foi o crescimento do aspecto comercial envolvendo a Flip.

Entre as mesas, o curador Manuel da Costa Pinto disse ter se surpreendido principalmente com a convergência entre os convidados Carol Ann Duffy e Paulo Henriques Britto (a poeta inglesa, aliás, ainda não publicada no País, atraiu a atenção de ao menos três editoras), além de Kamile Samshie e Caryl Phyllips. Por outro lado, alfinetou a atuação do francês Claude Lanzmann, que criticou abertamente o mediador Márcio Seligman-Silva. “Uma atitude lamentável, equiparável ao nazismo.” Costa Pinto não foi confirmado como curador: o anúncio ocorre em setembro.

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FLIP E OSWALD DE ANDRADE

Oswald de Andrade (1890-1954) será o grande homenageado da 9ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty. Considerado o mais inovador dentre os escritores do modernismo, Oswald foi protagonista da Semana de 22 e abriu caminhos para grandes nomes como Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e os poetas concretos. Além de ter sido um precursor da Tropicália e da “poesia marginal” dos anos 70, Oswald escreveu Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924), Pau Brasil (1925) e Manifesto Antropófago (1928) e introduziu a prosa experimental no país, com Memórias Sentimentais de João Miramar (1924). No ensaio ‘Estouro e Libertação’, de Brigada Ligeira (1945), o crítico Antonio Candido diz que Oswald de Andrade “é um problema literário” e completa: “Imagino, pelas que passa nos contemporâneos, as rasteiras que passará nos críticos do futuro”. “De lá para cá, a obra de Oswald só cresceu em importância, mas também aumentaram as rasteiras que têm passado nos críticos e leitores do presente – com seu teatro orgiástico (decisivo para a dramaturgia brasileira a partir dos anos 60), com o afresco revolucionário do país que ele fez em Marco Zero, com a antropologia de sua tese sobre messianismo e utopia (A crise da filosofia messiânica)”, comenta Manuel da Costa Pinto, curador da Flip. A homenagem pretende falar também do Oswald da Semana de 22, da Antropofagia e do nativismo Pau-Brasil, mas indo além – mostrando como existe ainda um Oswald a ser explorado, pronto para nos pregar novas peças. “Ainda há muito a explorar sobre este pensador de uma miscigenação sem nostalgia da identidade (bem à frente, portanto, do atual discurso multicultural), o crítico da civilização técnica e, sobretudo, o criador de uma poética que restaura o arcaico para se libertar do passado”, acrescenta Costa Pinto, que faz mais comentários sobre a escolha do homenageado no Blog da Flip. A trajetória do escritor, poeta e ensaísta e o alcance expressivo de sua obra na formação da literatura brasileira são questões que devem garantir a pluralidade do debate nos eventos da Flip dedicados a Oswald de Andrade.

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ROTAS LITERÁRIAS

A FLIP 2010 – Festa Literária de Paraty teve sua abertura com conferência do sociólogo e ex presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso falando sobre o homenageado da festa e sua obra, o também sociólogo Gilberto Freyre. A programação inclui nomes já conhecidos no cenário literário nacional e também da própria FLIP, já que a polêmica lista repetitiva de outros anos traz autores recorrentes na festa literária.

Moacyr Scliar, Patricia Melo, Reinaldo Moraes, Reinaldo Correia de Brito, Beatriz Bracher, Ferreira Gullar e outros compõem seletas mesas de debates em horários e dias que podem ser conferidos no site. Difícil não falar de Isabel Allende, uma das escritoras mais populares da América Latina e de Benjamin Moser, o autor da arrebatadora e completa biografia de Clarice Lispector.

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