O romance “L’Art français de la guerre”, de Alexis Jenni, ganhou nesta quarta-feira o Goncourt, o prêmio literário mais importante da França, e Emmanuel Carrère conquistou o prêmio Renaudot, com “Limonov”. Alexis Jenni obteve o prêmio na primeira rodada das votações, por cinco votos contra três. O concorrente foi “Du Domaine des Murmures”, de Carole Martínez, informou a emissora “France Info”. Considerado pela crítica como um “golpe de mestre” do até então desconhecido escritor, o primeiro romance de Jenni é a história de um oficial aposentado e suas lembranças das guerras coloniais das quais participou. Emmanuel Carrère, favorito indiscutível do Renaudot, retratou em seu romance o escritor e político russo Eduard Limonov (1943), fundador e líder do Partido Nacional Bolchevique Carrère obteve o Renaudot na segunda rodada da apuração, por seis votos contra quatro, que foram para Sylvain Tesson, segundo a “France Info”. Em suas primeiras declarações à imprensa, Jenni, um professor de 48 anos que leciona ciências naturais em um colégio de Lyon, disse se sentir feliz e surpreso com o prêmio. Apesar de ter dito em entrevistas anteriores que não escreveu seu livro, de 630 páginas, com o objetivo de publicá-lo, por causa de fracassos anteriores na literatura, nesta quarta-feira o autor admitiu que a publicação “é o sonho de quem faz um romance”. “Sonhamos com o êxito e inclusive com o prêmio”, acrescentou Alexis Jenni, que classificou a concessão do Goncourt como algo “extraordinário”.
O que significa e de onde surgiu a palavra ELITISMO?
O Caligrafia explica:
Sistema que favorece os melhores elementos de um grupo em detrimento da massa; política que visa à formação de uma elite. A palavra elitismo só surge na França em 1967, a palavra elitista em 1968. Pela primeira vez na história, a própria língua lança sobre a noção de elite uma iluminação de negatividade, quando não de desprezo. A propaganda oficial nos países comunistas começou a fustigar o elitismo e os elitistas ao mesmo tempo. Por essas palavras, ela visava não empresários, esportistas célebres ou políticos, mas exclusivamente a elite cultural, filósofos, escritores, professores, historiadores, homens de cinema e de teatro. Sincronismo espantoso. Faz pensar que é em toda a Europa que a elite cultural está cedendo lugar a outras elites.
Bernard-Marie Koltès nasceu no ano de 1948 em Metz na França. Um escritor singular: é o que se pode dizer deste que é também o dramaturgo francês mais encenado no mundo. Apaixonou-se perdidamente pelo teatro aos 21 anos de idade quando assistiu, em 1970, uma representação de Medéia, com encenação de Jorge Lavelli, interpretada por Maria Casarès. A partir daí passou a escrever para o teatro.
Em 1977, escreveu um longo monólogo, “A noite logo antes das florestas”, apresentado no Festival Off de Avignon, evento que acontece até hoje na França com apresentações livres de companhias sem direção artística. Suas peças seguintes foram montadas em estreita colaboração com Patrice Chéreau no Théâtre des Amandiers de Nanterre: “Combate de negros e cães”, “Cais Oeste”, “Na solidão dos campos de algodão” (este meu predileto, um texto fantástico sobre o desejo), “O retorno ao deserto”, que tiveram um grande sucesso.
Koltès é, antes de tudo, uma língua. Ao mesmo tempo muito literária e muito urbana, sua linguagem se lê como uma poesia moderna porque o teatro de Koltès também é um teatro que se lê. Surgido entre os “marginais” no fim dos anos 70, encenado por Patrice Chéreau nos anos 80, Bernard-Marie Koltès se impôs lentamente.
Passado mais de 20 anos de sua morte (abril de 1989) ele aparece como um clássico contemporâneo. No momento em que é constantemente montado na França, enfim a universidade o leva a sério e a “literatura” o reconhece como um de seus filhos mais inovadores e dos mais singulares. Traduzido em mais de trinta línguas, encenado em mais de cinquenta países, sua obra agora atinge novos territórios e novas gerações.