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POESIA PARA O DIA D

Poesia de Carlos Drummond de Andrade para comemorar o dia D, hoje, 31, data em que o poeta completaria 109 anos. A ideia é do Instituto Moreira Salles numa analogia com o Bloomsday, que comemora em 16 de junho a vida e obra de James Joyce na Irlanda. O dia 31 de outubro seria dedicado a Drummond. Para tentar instituir o “Dia D”, o IMS produziu o filme “Consideração do Poema”, que traz vários artistas declamando e comentando poesias de Carlos Drummond de Andrade. Entre eles estão Chico Buarque, Caetano Veloso, Fernanda Torres, Marília Pêra, Laerte, Drica Moraes, Cacá Diegues e Adriana Calcanhotto. Fãs do poeta também poderão enviar vídeos com a sua leitura dos poemas, que serão usados para a realização de um novo filme. O IMS também produziu “No Meio do Caminho”, vídeo com 11 versões em diferentes línguas do poema mais famoso de Drummond declamado por personalidades como David Arrigucci Jr., Matthew Shirts, Jean-Claude Bernardet e Heloisa Jahn.

POEMA DE SETE FACES

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
 
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
 
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
 
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
 
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
 
Mundo mundo, vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
 
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
 

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JORGE AMADO

As autoridades da Bahia preparam os últimos detalhes para a homenagem que lembrará os 10 anos da morte de Jorge Amado, que será realizada na próxima semana devido à data de aniversário de seu nascimento. Amado, um dos escritores mais universais, autor de obras que foram traduzidas para 49 idiomas morreu em 6 de agosto de 2001, quatro dias antes de completar 89 anos. Pela proximidade das duas datas, as autoridades resolveram escolher a do nascimento, que, se o escritor estivesse vivo, completaria 99 anos. Os atos da próxima quarta-feira marcam o início e apresentação oficial do programa de atividades do “Ano Jorge Amado”, apesar de que grande parte dos eventos mais significativos serão realizados em 2012, quando for o centenário de seu nascimento, informou à Agência Efe uma fonte da Secretaria de Cultura do Governo da Bahia. Desde o dia 10 e até fim de 2012, o país lembrará a palavra do escritor que, apaixonado do povo, retratou personagens que permanecem gravadas na memória dos brasileiros, em parte graças às adaptações em cinema e televisão. A Fundação Casa de Jorge Amado, no bairro colonial de Salvador, será o cenário da apresentação da programação, que inclui exposições, estreias de novas adaptações de sua obra e ciclos de conferências. Na mesma noite de quarta-feira o escritor moçambicano Mia Couto, oferecerá a conferência “Um Mar Vivo: Como Jorge é Amado na África”, em uma sessão que promete esmiuçar uma leitura africana da obra do brasileiro. A diretora da fundação, Myriam Fraga, considera que Amado, homenageado em 1994 com o Prêmio Camões, o mais destacado em língua portuguesa, deu significado à palavra povo. Para o especialista, o fato de Amado ter morrido sem ter recebido o prêmio Nobel de Literatura foi uma “injustiça” com o escritor, mas também com o Brasil e com a língua portuguesa, que só obteve esse reconhecimento na figura de José Saramago.

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FLIP

A 9ª edição da Flip começou ontem em grande estilo, com a conferência do crítico e ensaísta Antonio Cândido sobre Oswald de Andrade, o homenageado deste ano. No ano passado, a abertura ficou a cargo de Fernando Henrique Cardoso, o que despertou insinuações, mesmo que a palestra tenha sido brilhante. A nova Flip, porém, deverá ser marcada pelo crescimento do uso mercadológico da marca – além das tradicionais mesas do evento (que, nesse ano, dará mais ênfase à ficção que edições anteriores, na avaliação de seu novo curador, Manuel da Costa Pinto), uma infindável opção de encontros estará à disposição dos visitantes, em um número agora recorde. Isso porque, além das habituais Flipinha (braço infantil e educativo), Flipzona (ao público adolescente), Off Flip e Casa de Cultura, surgem dois novos espaços: a Casa do Instituto Moreira Sales e a Casa do Sesc. A primeira terá atrações como a exposição em edição fac-similar digital de trechos do livro “O Perfeito Cozinheiro das Almas Deste Mundo”, de Oswald de Andrade, e também a Rádio Batuta, da webrádio do IMS, que vai estrear o programa “Prefácios”, com gravações ao vivo com escritores. Já a segunda terá uma biblioteca. Tudo obviamente gira em torno da Flip que, apesar das desistências (Antonio Tabucchi e Michel Houellebecq foram as mais sentidas), permitirá um contato com jovens talentos, como os argentinos Pola Oloixarac e Andrés Neuman, além do angolano valter hugo mãe (escreve-se assim mesmo, com minúsculas). Todos figuram em praticamente todas as listas de escritores promissores. O Brasil será representado principalmente por João Ubaldo Ribeiro que, depois de recusar participar da edição de 2004, quando julgou que receberia o tratamento de um coadjuvante, agora chega como estrela. Já o lado pop estará garantido por David Byrne, que vai falar, entre outros assuntos, sobre sua predileção de andar de bicicleta.

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BENEDITO NUNES

O filósofo e escritor paraense Benedito Nunes, de 81 anos, morreu domingo e deixou uma vasta obra. Benedito José Viana da Costa Nunes, nasceu em Belém do Pará em 21 de novembro de 1929. Recebeu o prêmio Jabuti em 1987, na categoria Estudos Literários. No ano passado foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. Lançou A Clave do Poético em julho de 2010. Crítico literário, professor, escritor, ensaísta e filósofo, Nunes ensinou literatura e filosofia em diversas universidades do Brasil, da França e dos Estados Unidos. Escreveu artigos e ensaios para jornais e publicações locais, nacionais e internacionais. Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, mais tarde incorporada à Universidade Federal do Pará (UFPA). Aposentou-se como professor titular de Filosofia pela UFPA, tendo recebido o título de Professor Emérito em 1998, ano em que ganhou o Prêmio Multicultural Estadão.

O último evento do qual Benedito Nunes participou foi o 8º Colóquio Fotografia e Imagem, realizado entre o final de novembro e o início de dezembro do ano passado. O filósofo fez a conferência de abertura, que serviria de base para as discussões posteriores do evento. A conferência dele foi a de maior público, teve um clima leve, com participação da plateia. Ele levou uma maleta com vários livros, os tirava da bolsa, abria nas marcações e assim sintetizava os textos e costurava o pensamento. No ano passado, Benedito Nunes foi homenageado pelo X Simpósio Internacional Nietzsche Deleuze: Natureza e Cultura, realizado na Universidade Federal do Pará. O livro do evento, que será publicado pela editora Lume (SP), teria a apresentação dele. “Estou organizando o livro do simpósio, e nos falamos há cerca de 20 dias”, relata Nilson Oliveira, editor da revista literária Polichinello e um dos coordenadores do evento. “Agora faremos o livro dedicado a ele”, completa Nilson, que desde domingo tem recebido e-mails dos participantes do simpósio lamentando a morte do filósofo paraense.

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FLIP

O crítico literário italiano Franco Moretti é o sexto escritor estrangeiro confirmado para a 9ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Também estão confirmadas as participações dos escritores David Remnick, Andrés Neuman, Valter Hugo Mãe, Pola Oloixarac e Joe Sacco. A Flip 2011 acontece entre os dias 6 e 10 de julho e vai homenagear o escritor paulistano Oswald de Andrade. Franco Moretti é conhecido por ter fundado o Centro de Estudos do Romance, na Universidade de Stanford, e por ter organizado os cinco volumes da coleção O Romance, cujo primeiro título (A cultura do Romance) foi lançado no Brasil em 2009. Moretti também é lembrado por sua concepção do crítico como um “cientista literário”, alguém que deve dominar várias disciplinas, da antropologia à biologia, para compreender mudanças das práticas de leitura e seu impacto sobre os gêneros literários.

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