O escritor Bartolomeu Campos de Queirós, autor de mais de 40 livros para crianças e jovens, morreu nesta segunda-feira aos 66 anos na cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, informou o Hospital Felício Rocho. Campos de Queirós morreu em decorrência de uma insuficiência renal, que o obrigava a realizar hemodiálises regularmente, de acordo com os porta-vozes do hospital. O autor recebeu inúmeros prêmios, entre eles o Jabuti, maior condecoração literária do país, e o prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil de 2008. Bartolomeu foi, além disso, finalista em 2010 do prestigioso prêmio internacional Hans Christian Andersen de Literatura Infantil. O prêmio Ibero-americano SM reconheceu “a transcendência de sua obra que se manifesta na profundidade dos temas abordados, o respeito pelo leitor, os desafios que teve de enfrentar, seu compromisso com a arte literária sem concessões e o caráter poético e filosófico de sua obra”. Nascido no município de Papagaios (Minas Gerais), mestre e crítico de arte, trabalhou em diversos projetos de incentivo à leitura patrocinados pela Biblioteca Nacional e pelo Governo de Minas Gerais. Estreou na literatura em 1974 com “O peixe e o pássaro” e desde então escreveu mais de 40 títulos infantis, alguns dos quais foram traduzidos para o espanhol, inglês e dinamarquês. Campos de Queirós foi autor também de livros premiados como “Onde tem bruxa tem fada” (1979) e “Até passarinho passa” (2004) e diversas obras que estão na lista que o Governo brasileiro enviou às bibliotecas escolares para promover a leitura.
Fonte: br.noticias.yahoo.com
As inscrições para o prêmio Jabuti, o mais tradicional da literatura brasileira, começaram dia 23 de março no site www.premiojabuti.org.br. Para a 53 edição, o troféu sofreu sua maior mudança, tudo para evitar o boicote anunciado no ano passado pelo Grupo Editorial Record e atingir a marca de 3 mil obras inscritas. O número de categorias subiu de 21 para 29. Agora serão homenageados apenas o principal livro de cada uma delas – até o ano passado, os três primeiros eram premiados. Além disso, só os ganhadores de cada categoria concorrem aos prêmios de livro do ano de ficção e não ficção. O curador do prêmio, José Luiz Goldfarb acredita que as mudanças valorizam o vencedor e toda a cadeia produtiva. No ano passado, a premiação causou polêmica ao escolher “Leite Derramado”, de Chico Buarque, como o livro do ano de não ficção, embora na categoria romance, ele ficou em segundo lugar. Além do boicote, o fato gerou uma petição na internet, pedindo que Chico devolvesse o prêmio. Karine Pensa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora do Jabuti, disse que a polêmica e discussão causada ano passado beneficiou o concurso, mas cá para nós não é bem assim. Digamos que ela está sendo gentil, pois as revoltas de editoras, escritores e afins acerca do resultado, de certa forma, mancharam a imagem do Prêmio Jabuti, tão consagrado e que já premiou profissionais bem mais merecedores. O romance de Chico Buarque passa longe de ser considerado o melhor do ano deixando um rastro de politicagem incorreta e “puxação de saco”. Vamos ver o que acontece este ano!
Adélia Luzia Prado Freitas nasceu em Divinópolis (MG), no dia 13 de dezembro de 1935, local onde atualmente ainda reside, filha do ferroviário João do Prado Filho e de Ana Clotilde Corrêa. Inicia seus estudos no Grupo Escolar Padre Matias Lobato. Conclui em 1953 o curso de Magistério na Escola Normal Mário Casassanta. Exerceu a magistratura em diversos níveis de ensino, lecionando Filosofia da Educação e História da Filosofia Contemporânea na Faculdade de Filosofia de Divinopólis. Casa-se em 1958 com José Assunção de Freitas, com quem teve cinco filhos: Eugênio (em 1959), Rubem (1961), Sarah (1962), Jordano (1963) e Ana Beatriz (1966). Apesar de escrever desde os 14 anos, quando fez o seu primeiro soneto, somente aos 40 anos de idade, publicou seu primeiro livro de poesias. Em 1973, Adélia Prado encaminha a Affonso Romano de Sant’Anna, carta e originais de seus novos poemas. Depois de lê-los, Affonso solicita à Carlos Drummond de Andrade que os aprecie e avalie. Drummond classifica-os com fenomenais, sugerindo a Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago, que publique o livro de Adélia. Assim, em 1976 é lançado no Rio de Janeiro o livro Bagagem coma presença de Antônio Houaiss, Raquel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Juscelino Kubitscheck, Affonso Romano de Sant’Anna, Nélida Piñon e Alphonsus de Guimaraens Filho, entre outros. Podemos destacar na escrita de Adélia, fortes imagens do cotidiano doméstico, procurando neste um sentido mais profundo, dando-lhe assim, um espiritualismo místico. Adélia é sobretudo contemplativa em seu dizer poético. A leitura de seus poemas, faz-nos pensar que Adélia usa a folha em branco, como se estivesse na varanda do céu, a contar-nos sobre suas observações da vida. Há uma mistura entre o profano e o sagrado, denotando-se uma busca angustiante da essência da vida. Apesar destes aspectos marcantes em sua escrita, podemos perceber uma tênue sensualidade entrecortando seus versos. Guimarães Rosa, Drummond, Jorge de Lima e Murilo Mendes tiveram influência decisiva em sua escrita. Em 1978, ganhou o prêmio Jabuti de Literatura. Então, hoje, um pouco da poesia de Adélia.
Impressionista
Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
Ensinamento
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
“Coitado, até essa hora no serviço pesado”.
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Pranto Para Comover Jonathan
Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.
Mais triste do que a morte,
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.
Parâmetro
Deus é mais belo que eu.
E não é jovem.
Isto sim, é consolo.
Poema Começado no Fim
Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
Antes do Nome
Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o “de”, o “aliás”,
o “o”, o “porém” e o “que”, esta incompreensível
muleta que me apóia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infreqüentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.
A Serenata
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
“O Tempo e o Cão” (Boitempo Editorial, 2009), livro de autoria da psicanalista Maria Rita Kehl, foi escolhido como o melhor livro do ano pelo juri oficial do 52º Prêmio Jabuti. Fala da depressão como um sintoma social e é desenvolvido em três ensaios tendo como base as experiências clínicas da profissional que também investiga causas e sintomas da doença, cada vez mais presente na atualidade. O livro se firma como um dos principais lançamentos do ano fazendo uma reflexão do lugar simbólico ocupado pela melancolia, desde a Antiguidade clássica até o século 20. Um tema muito interessante tratado é a temporalidade que é a relação subjetiva dos pacientes depressivos com o tempo. No último ensaio tem a clínica das depressões mostrando as distinções fundamentais entre a depressão e a melancolia.
Leia um trecho:
“Resgatar a clínica das depressões do campo exclusivo da psiquiatria me parece um desafio ante o qual o psicanalista não pode recuar. O aumento assombroso dos diagnósticos de depressão nos países do ocidente, desde a década de 1970, poderia ser interpretado simplesmente como efeito do empenho da indústria farmacêutica em desenvolver e difundir técnicas de diagnóstico que favoráveis ao uso (quando não ao abuso) dos novos antidepressivos lançados a cada ano no mercado. Mas também pode indicar que o homem contemporâneo esteja particularmente sujeito a deprimir-se. A segunda hipótese não exclui a primeira, mas indica outra abordagem do problema. Embora o tratamento dos casos de depressão não seja normalmente atribuído ao campo da psicanálise e sim ao da psiquiatria, concordo com Colette Soler, para quem a inconsistência do conceito de depressão não deve nos desencorajar a pensar psicanaliticamente os fenômenos depressivos que chegam à nossa clínica.
Tenho constatado em minha prática analítica que aquilo que chamamos, sem grande precisão, de depressão, seja um quadro mais próximo da clínica das neuroses do que das psicoses. Quando um psicanalista ou um psiquiatra referem-se a uma depressão psicótica ou “endógena” é bem provável que se refiram a uma melancolia, não a uma depressão. Isto vale inclusive para as depressões consideradas crônicas, que também podem ser, senão curadas, ao menos tratadas com os recursos da psicanálise. As depressões participam das estruturas neuróticas, mas é preciso tentar compreender sua singularidade. Não se confundem com estados de ânimo tais como tristeza, abatimento, desânimo, inapetência para a vida, embora todos estes participem também do sofrimento do depressivo. Por outro lado, também não se confundem com as ocorrências depressivas esporádicas a que todo neurótico está sujeito em razão de perdas, fracassos ou lutos mal elaborados.
Na clínica psicanalítica recebemos com freqüência pessoas que se queixam de não terem jamais experimentado, tanto quanto sejam capazes de se lembrar, outro modo de estar no mundo que não seja a depressão, com raros intervalos de alívio passageiro. O tipo de endereçamento transferencial de suas interrogações frente ao analista nos leva a concluir que estas pessoas sejam neuróticas; mas o sentimento de vazio que os abate, a lentidão mental e corporal, o abatimento profundo em que se encontram, exigem um pouco mais de cautela em sua avaliação. A questão que se coloca é: o que acontece, na origem de certas entradas na neurose, que abate o sujeito de uma forma tão avassaladora desde muito cedo?”