Criador do fanzine “Kleptomaniac” (1960), um cult da era dos quadrinhos mimeografados, o cartunista americano Denis Kitchen percebeu ao fim de sua palestra na Rio Comicon 2011, ontem, que será difícil levar adiante seus planos de transformar sua estadia no Brasil em uma viagem de férias. Famoso desde 1969 por seu trabalho como agente literário e editor de artistas do naipe de Robert Crumb, Art Spiegelman e Bill Sienkiewicz, Kitchen não consegue desligar seu instinto de caça-talentos. Até domingo, ele estará na Estação Leopoldina, a sede da convenção brasileira de HQs, para receber o público da exposição “O espírito vivo de Will Eisner”, cuja curadoria ele assina em parceria com a cineasta brasileira Marisa Furtado. E, além de promover a obra do finado amigo (e cliente) Eisner, estará em busca de quadrinistas brasileiros com potencial para exportação. Em 1968, quando estreou profissionalmente com “Mom’s homemade comix”, após sua experiência como quadrinista amador em zines de fundo de quintal, Kitchen virou sinônimo de HQ underground, falando de drogas, liberdade sexual e resistência aos padrões sociais vigentes. Apresentando-se com o rótulo de “artista faminto”, ele viu suas primeiras HQs venderem milhares de exemplares entre tribos quadrinhófilas enjoadas do bom-mocismo do Super-Homem e afoitas por contracultura. Trabalhou ainda como capista em publicações como “Great marijuana debate” e “Alcohomics”. Em suas páginas, num tom memorialista, Kitchen explica como transformou a rebeldia de quadrinistas sem espaço nas editoras mais tradicionais num negócio rentável. Ao fundar a Kitchen Sink Press, hoje transformada em Denis Kitchen Publishing, o cartunista passou a ganhar dinheiro editando graphic novels e licenciando tiras e gibis de desenhistas e roteiristas ignorados por empresas como a Marvel ou a DC Comics. A web é um instrumento de divulgação para novos artistas. Ainda há que se discutir se as HQs digitais podem gerar lucro, com download pago, nesses tempos de crise.
O escritor espanhol Javier Moro ganhou neste sábado a 60ª edição do Prêmio Planeta (o prêmio literário mais importante da língua espanhola) com seu romance ‘El imperio eres tú’, uma crônica minuciosa sobre a vida do imperador Dom Pedro I. O júri do prêmio, que distribui 601.000 euros para o ganhador, se pronunciou durante banquete para cerca de mil convidados, presidido pelos príncipes de Astúrias, dom Felipe e dona Letizia. O romance, apresentado na competição com o título de ‘El Emperador del fin del mundo’ sob o pseudônimo de Augustín San José, narra a vida de um dos monarcas mais surpreendentes e pitorescos, um homem que sempre esteve do lado da história, da liberdade, em uma época de monarquias absolutistas. Madrilense, filho de mãe francesa, Moro viajou por meio mundo e colaborou como jornalista ‘freelance’ com importantes meios de comunicação de língua hispânica e também no meio audiovisual, produzindo e roteirizando o filme ‘Valentina’ (1982), baseado no romance ‘Crónica del Alba’, de Ramón J. Sénder. Estiveram presentes à 60ª edição do prêmio, entre outros, a ministra da Cultura espanhola, Ángeles González-Sinde, o presidente do governo autônomo catalão (la Generalitat), Artur Mas, e o prefeito de Barcelona, Xavier Trias.
Em sintonia com tudo o que surge à nossa volta todos vivem sempre à espera, alerta e constantemente esperando. O problema é que quase ninguém sabe o que, mas sabe que é algo, pode ser bom ou pode ser ruim, depende. O ser humano tem guardado nos cantos mais escondidos da alma o desejo de que alguma coisa aconteça e de que esse isso mude sua vida, que o tire do tédio da monotonia de dias iguais e previsíveis. Uma grande maioria não quer esta vida certinha, não quer os compromissos burocráticos nem seguir as regras que lhe colocaram diante do nariz e disseram: siga e não pergunte nada! E sim almejam mais, muito mais da vida, sentem a veia pulsando dentro de si para fazer o que lhes dá vontade, porém, inexplicavelmente cai do nada a bula alertando de todas as contra-indicações e o famoso bom senso volta com força total. Embora muitos nunca descubram do que exatamente é esta tal vontade.
Uma novidade, um telefonema, um presente, um e-mail aguardado, uma decepção, uma fofoca, um resultado alcançado, um almoço, um jantar, um encontro inesperado, um fora, um convite. São tantos pequenos ou grandes eventos no nosso dia-a-dia e é através disso que as situações vão mudando e os fatos tomam forma construindo nossa história a passos lentos. E aí não podemos reclamar, ora, a vida não está parada, ela está andando. Só que somos homens e mulheres insatisfeitos com esse pequeno cofrinho de acontecimentos, queremos grandiosidade, queremos sorte e, finalmente, que tudo mude assim, da noite para o dia. Se foi possível com fulano ou sicrano porque não pode acontecer comigo também?
Quem espera sempre alcança, já dizia o ditado antigo. Alcançar o inalcançável é mais difícil para quem vive no mundo real e poucos conseguem. Clarice Lispector escreveu “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” Viver pode ser tremendamente inquietante e dolorido para os que não encontraram os nomes certos para seus desejos, contudo, é fato calmante e orientador pensar que posso dar o nome que eu quiser para aquilo que talvez ainda não saiba o que é. O importante é me encontrar em mim mesma para ir de encontro a tal espera em vez de ficar olhando para saber quando ela chegará.
“compro a liberdade em gramas
pois aqui, neste mundo
não a vendem a quilo
nem tampouco a granel
mas tenho paixão
por essas mercadorias
do ser que não se vê
do ver que não se é
tarefa árdua essa minha
contratar compradores de cárceres
para fazer estoque de liberdade”*
*Trecho da poesia Liberdade do livro um lugar, versos e retalhos. No dia 21 de agosto o livro será lançado na Bienal Internacional de São Paulo. O livro é uma edição de luxo com capa dura e foi contemplado pela Fundação Cultural de Jaraguá do Sul. Abaixo, bate papo “Agora é que são elas” durante noite de lançamentos na Feira do Livro de Jaraguá do Sul .

Agora é que são elas na feira do Livro de Jaraguá do Sul

