A última grande rede de livraria dos EUA aposta no Nook, um parente temporão do e-reader, para continuar relevante. A Barnes & Noble, a gigante que ajudou a tirar tantas livrarias do negócio, agora se vê lutando pela própria vida. Seus engenheiros inventaram foi o Nook, um parente temporão do e-reader que, no entanto, tornou-se a grande esperança eletrônica da Barnes & Noble e, na verdade, de muitos no negócio de livros. Nas grandes editoras, como Macmillan, Penguin e Random House, há um sentimento de desconforto com o destino a longo prazo da Barnes & Noble, a última grande rede de livrarias que restou, com 703 unidades. O receio é que ela possa murchar paulatinamente à medida que mais leitores forem optando pelos e-books. Por trás disso tudo emerge o vulto ameaçador da Amazon. Seu presidente executivo, Jeffrey Bezos, quer eliminar os intermediários – isto é, as editoras tradicionais – publicando e-books diretamente. Essa é a razão por que a Barnes & Noble, que já foi vista como a capitalista brutal no ramo de livros, agora parece tão crucial para o futuro do setor.
O historiador Robert Darnton escreveu sobre como era a produção dos livros no século XVIII: “Cada folha de papel era produzida individualmente, com um procedimento esmerado, e diferia de todas as outras folhas do mesmo volume. Cada letra, cada palavra e linha era composta segundo uma arte que dava ao artesão uma possibilidade de exprimir sua individualidade. ” O esmero visual foi sendo perdido ao longo da história por muitos fatores, entre eles a busca das editoras por impressões cada vez mais baratas. Porém, algumas ainda procuram ver o livro como objeto de arte. É o caso da editora portuguesa Tinta-da-China, que chegará ao Brasil e às livrarias brasileiras em março deste ano. O nome, em Portugal, significa o mesmo que nanquim, no sentido que é usado no Brasil. Todos os volumes trazem uma marca própria: uma mancha preta em suas lombadas. Segundo a diretora editorial e fundadora da Tinta-da-China, Bárbara Bulhosa, os livros publicados são selecionados devido, principalmente, à qualidade literária das obras. “Não são livros direcionados para a massa, não trabalhamos com best-sellers. São livros feitos para pessoas que realmente gostam de ler”, diz. Não que sejam livros de leitura difícil, erudita, mas, sim, produções literárias de qualidade. De acordo com Bárbara, a editora também se esmera para criar projetos gráficos que deixam as edições visualmente atraentes. A Tinta-da-China Brasil terá sede no Rio de Janeiro. Conforme informou Bárbara, ela continuará dirigindo o departamento editorial e a comunicação da empresa – mesmo residindo em Portugal –, e terá apoio de outros dois sócios que moram no Brasil: a brasileira Luciana Terrinha, responsável pela administração, e o português Pedro Gomes, que dirigirá o departamento comercial. A editora terá ainda um assistente editorial. Em Portugal, a Tinta-da-China possui lugar de destaque e espera alcançar o mesmo no Brasil. Bárbara esteve no ano passado na bienal do livro do Rio de Janeiro e disse ter ficado impressionada com a quantidade de livros comercializados. “O mercado editorial brasileiro está em franca expansão”, conta a diretora, e, em seguida, explica o seu encanto pelo Brasil: “As livrarias brasileiras são fantásticas”. Os primeiros autores que serão publicados no Brasil são os portugueses Alexandra Lucas Coelho, Dulce Maria Cardoso e Ricardo Araújo Pereira. A editora procura, como uma de suas prioridades, lançar autores portugueses que não são conhecidos por aqui. O catálogo completo pode ser visualizado pelo site. A distribuidora Superpedido será responsável por encaminhar os livros da Tinta-da-China às livrarias brasileiras. Grandes redes como Saraiva, Cultura, Livraria da Vila e Travessa contarão com os exemplares da editora portuguesa em suas lojas. Inicialmente, as obras serão distribuídas nas cidades São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto, no entanto, visa a expansão para várias regiões do país.
Por Flavia Leal em www.publishnews.com.br
Terminou domingo passado, 16, a Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo, com saldo positivo para o Brasil. A expectativa de que o mercado internacional estivesse de olho no Brasil por conta do bom momento econômico parcialmente se confirmou – graças ao fato de o País já se preparar para 2013, quando será o homenageado da feira. Houve mais interesse pela literatura brasileira, principalmente por conta do programa de incentivo à tradução lançado pela Fundação Biblioteca Nacional, visando especialmente profissionais estrangeiros. Além do interesse em autores contemporâneos como Alberto Mussa e Edney Silvestre, editores estrangeiros buscaram detalhes sobre alguns clássicos, como Fernando Sabino e Rubem Braga. Idêntica curiosidade foi percebida pela Globo, detentora dos direitos da obra de Monteiro Lobato: títulos juvenis do escritor paulista foram negociados antes mesmo do início da feira com Rússia, Polônia e Argentina. “Lobato tem um incrível apelo educativo, o que vem despertando consultas de outros países. Devido à crise econômica que ainda atinge americanos e europeus, a Feira de Frankfurt deste ano provocou uma sensação de ligeira desorientação. Roberto Feith, da Objetiva e Alfaguara, não sentiu mudança na postura dos agentes com relação aos brasileiros. “Apenas o comentário deles, repetido por vários, de que o nosso mercado parecia bem, vibrante, com editoras disputando títulos vigorosamente, ao contrário dos europeus.” Os editores brasileiros não descuidaram também dos negócios digitais. O interesse é justificável. Os planos da Google para vender livros digitais para consumidores brasileiros estão acelerando, eles devem lançar sua primeira livraria no Brasil em breve. E, apesar das discussões sobre conteúdo digital terem dominado a feira, o evento terminou com amplo domínio dos negócios para publicação em papel. A grande novidade foi a presença de empresas que fornecem material literário para jogos de computador. “Elas deverão vir em número cada vez maior, pois buscam conteúdo diferenciado para seus programas, o que pode ser uma boa alternativa para as editoras”, acredita Jürgen Boos, presidente da Feira de Frankfurt.
Há 203 anos, um decreto de d. João criava no Rio a Impressão Régia, primeira gráfica-editora em solo brasileiro. A iniciativa do príncipe regente é saudada pelos historiadores tanto quanto a de abrir os portos às nações amigas, por ter contribuído para nosso desenvolvimento social, político e cultural. Ainda assim, ela ficou apagada quando se comemorou o bicentenário da chegada da corte portuguesa, em 2008. “Impresso no Brasil – Dois Séculos de Livros Brasileiros” (Editora Unesp e Biblioteca Nacional) será lançado hoje, às 18 h, na Livraria João Alexandre Barbosa da USP. Com 35 capítulos assinados por pesquisadores de instituições de vários Estados, abrangendo a produção editorial de lá para cá, como as primeiras tipografias e editoras, as experiências particulares do Amazonas ao Rio Grande do Sul, e fenômenos como Paulo Coelho e a série Harry Potter, a publicação mostra que o sonho de democratizar a leitura, fazendo do livro objeto acessível aos mais pobres, vem de muito longe. No fim do século 19, quando a capital brasileira contava uma dezena de livrarias e a taxa de analfabetismo atingia 80%, o aumento da migração campo-cidade provocou o surgimento dos primeiros livros populares de que há registro. Diferentemente das encadernações caprichadas dos livreiros estrangeiros, como o francês Baptiste Louis Garnier, principal editor de Machado de Assis, nossos livros ganhavam capas simples e eram feitos de papel barato. Por isso, custavam menos da metade do preço. Os chamados “livros para o povo”, clássicos de Alighieri a Verne, volumes sobre fotografia, direito, música, biologia já faziam sucesso em Portugal. Por lá, também só um pequeno grupo de privilegiados podia comprar edições caras. O Brasil se beneficiou desse know-how e viu surgir edições em “formato acomodado a qualquer bolso que não seja do colete”, como passou a anunciar o próprio Garnier em sua chique loja da Rua do Ouvidor. Outros editores passaram a se dedicar às edições de baixo custo. No fim dos anos 1870, era aberta a Livraria do Povo, que anunciava: “Até os cadáveres se levantam pra aproveitar as pechinchas!” O livro deixava aos poucos de estar atrelado ao saber erudito. Hoje, a média de livros lidos por ano pelo brasileiro é de 4,7 por ano (a maior parte, emprestado, de conhecidos e de bibliotecas) e o governo tenta emplacar o livro popular, que custaria até R$ 10 e atenderia às classes C, D e E.