Quinta-feira passada o escritor Gonçalo M. Tavares foi distinguido com o Prêmio Literário dos Jovens Europeus, com o livro “O Senhor Kraus”, um dos habitantes do Bairro que criou e continua a povoar. Publicado pela Caminho em 2005 e o quinto título da série “O Bairro”, que já conta dez livros, “O Senhor Kraus” é um jornalista convidado para escrever uma crônica sobre política. Ele aceita e, para comentar os acontecimentos políticos, inventa três personagens, o Chefe e os dois Auxiliares, que protagonizarão episódios e diálogos que satirizam os tiques universais dos políticos. O escritor, de 40 anos, publicou em 10 anos, desde 2001, 29 livros de vários gêneros literários — incluindo vários romances, livros de contos, peças de teatro, uma epopeia, ensaios e poesia –, que já deram origem, em diversos países, a peças de teatro, ópera, peças radiofônicas, curtas metragens e objetos de artes plásticas, vídeos de arte, performances, projetos arquitetônicos e teses acadêmicas. Há cerca de 160 traduções de obras suas em curso com edição em 35 países.
Recebeu até agora diversos prêmios importantes da língua portuguesa: o Prêmio Portugal Telecom 2007, o Prêmio José Saramago 2005 e o Prêmio LER/Millennium BCP 2004 com o romance “Jerusalém” (Caminho), o Prêmio Branquinho da Fonseca, da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, com o livro “O Senhor Valéry” (Caminho), o Prêmio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com “Investigações. Novalis” (Difel), e o Grande Prêmio de Conto Camilo Castelo Branco 2007, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores a “Água, Cão, Cavalo, Cabeça” (Caminho). O seu romance “Jerusalém” foi listado como um dos “1001 Livros Para Ler Antes de Morrer — Um Guia Cronológico dos Mais Importantes Romances de Todos os Tempos”, na edição europeia desse livro. Um dos três livros que publicou no ano passado, a anti-epopeia “Uma Viagem à Índia” (Caminho) foi distinguido com o Prêmio Melhor narrativa Ficcional 2010 da Sociedade Portuguesa de Autores e o Prêmio Especial de Imprensa Melhor.
Alguns personagens da literatura foram tão bem construídos no papel por seus autores que parecem reais, ou seja, permanecem vivos em nossa memória por muito tempo. No Brasil isso é muito forte. Autores como Machado de Assis, Monteiro Lobato e Nelson Rodrigues, entre outros tantos, são responsáveis pela construção de seres capazes de criar uma forte identificação com o público. É raro encontrarmos um leitor de livros que não tenha os seus personagens preferidos vivos em sua mente. Muitas vezes, essas referências vêm da infância, quando a empatia com as figuras é fundamental para que nos apeguemos a uma obra e não a larguemos até devorá-la todo. Adultos, tendemos a gostar de personagens de autores clássicos, que, de tão vivos, acabam íntimos e praticamente reais, a ponto Continue lendo »
Hoje, dia 29 de outubro é o Dia Nacional do Livro e nos remete a uma série de reflexões e indagações a respeito deste objeto tão amado por pessoas de todas as idades. É através do hábito da leitura que melhoramos nossa comunicação com o mundo e com nós mesmos, evoluímos na capacidade do raciocínio lógico e crítico com relação a diversos assuntos. O livro permite nos tornarmos indivíduos com capacidade criativa mais elevada proporcionando assim o desenvolvimento da cultura que considero fundamental para qualquer ser humano. Conheço pessoas que nunca leram um livro na vida e apesar de tal fato me causar choque acredito que nunca é tarde para começar. Ler significa abrir mão de outra atividade e dispor de determinado tempo para ficar ali parado, viajando na história ou no assunto, fazendo questionamentos, elaborando opiniões ou simplesmente transportando-se para um mundo totalmente diferente do nosso. Para isso é necessário vontade, disposição, mas, acima de tudo, paixão. Ter paixão por livros é algo que acontece em qualquer tempo. O livro vai atrair o leitor pela curiosidade de conhecer a história, pelo formato, pelo cheiro e pela emoção que os personagens causam.
A vida é repleta de prazeres,no entanto, o prazer de ter um livro com sua cor, papel e palavras também é um prazer fantástico, algo que traz felicidade sim para quem gosta e os amantes dos livros sabem do que estou falando. Seja novo ou comprado em sebus quando o levamos para casa temos um novo amigo que ficará lá por anos, que nos acompanhará nas mudanças, que precisará ser cuidado, folheado de vez em quando ou simplesmente acariciado em sua capa, mas nunca descartado, jamais!
Você lembra-se do primeiro livro que leu na vida? Eu me lembro, Éramos Seis, de Maria José Dupré, até hoje os personagens passeiam pela minha mente bem como suas emoções e vivências. Li-o com seis anos e quase 30 anos depois ele está guardado e muito bem cuidado com os novos como um avô que vela por seus netos.
Existem histórias que ficam para sempre, escritores que ficam para sempre. Para quem ainda não tem na mente histórias eternas de um livro qualquer pode resgatar o tempo perdido a partir de agora, pois podemos ler quando, onde e o que quisermos.
O escritor João Chiodini responde hoje a pergunta que livro gostaria de ter escrito.
ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS (Lewis Carroll – 1865). o livro conta a história de uma menina que cai num buraco e é transportada para um lugar desconhecido, revelando uma lógica do absurdo, cheio de enigmas. Nessa terra estranha e surreal, Alice fará uma grande aventura, encontrando e interagindo com diversos personagens de caracteríscas peculiares e antropomórficos… (fabulosos e complexos): Um coelho, um gato (este é o personagem que eu realmente gostaria de ter criado), cartas de baralhos, uma lagarta, entre outros. A história que se enquandra num gênero literário nonsense, é considerada um clássico da literatura.
Recentemente um filme com o mesmo título do livro foi lançado, porém, o longa não pode ser comparado com a obra original, tendo em vista que a história contada é diferente, usando apenas algumas referências dos personagens e do “Wonderland”
João é autor de Werner Woigt – O caminho de um apaixonado pela eletricidade (2010), Delírio real de um amor imaginário (2009), Transcendência Humana (2005) e outros. Participou de várias coletâneas e criou o Concurso Jaraguaense de Contos.