Li agora de manhã na internet…Lindo o que aconteceu em cidades do Chile, como Santiago, por exemplo, na virada do ano. Foram lançadas do céu por helicópteros milhares de pulseiras com versos de poetas chilenos para a população que comemorava na rua. Poesia como as de Pablo Neruda e Violeta Parra voavam em meio aos fogos para celebrar com alegria a chegada de 2012. A ideia foi da Fundação Imagem do Chile e a achei de extremo bom gosto e originalidade. Poderia e deveria ser copiada aqui no Brasil. Imagine o reveillón de Copacabana no Rio de Janeiro e de muitas outras cidades brasileiras com chuva de versos de Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, Manoel de Barros e muitos outros. O Chile sabe mesmo valorizar sua herança literária, sabe fazer da memória de escritores, poetas, contistas subsídio para turismo e para valorização do país. Talvez eles já tenham compreendido que vida e poesia não se dissociam, estão grudadas e fazem parte da essência humana.
Acontece nesta sexta-feira, 11/11/2011, às 19h na Biblioteca Pública Municipal o lançamento do livro NÓS (e os “nós” entre NÓS) dos escritores Ana Janete Pedri, Gil Salomon, Nilza Vilhena e Luiz Paschoal. A organização é de Inacio Carreira.
Ana Janete é autora do livro de poesia Amores: Caminhos e Descaminhos.
Gil Salomon é escritor consolidado na região, autor de diversos livros dentre eles Rota de Fuga e Catarse.
Nilza é autora de Quinione, livro de contos.
Luiz Paschoal, consultor empresarial, é autor de Atendimento 10.
Sucesso a todos e que o número 11 traga muita sorte!
O Rio Grande do Sul tem uma reconhecida tradição literária, com grandes escritores prestigiados nacionalmente. No entanto, não há até o presente momento nenhum concurso de maior magnitude que leve o nome do Estado ou de uma de suas personalidades culturais que fomente a produção literária, incentive escritores e contribua com o enriquecimento e a qualificação dos acervos das bibliotecas públicas. Como forma de preencher esta lacuna, o Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura e do Instituto Estadual do Livro (IEL), com a colaboração da Associação Lígia Averbuck, entidade sem fins lucrativos apoiadora das atividades do IEL, cria um prêmio de literatura e homenageia um de seus mais importantes escritores, recentemente falecido. O Prêmio Moacyr Scliar de literatura será lançado na terça-feira (16), às 15h, no Palácio Piratini. O objetivo é indicar os melhores livros das categorias poesia e conto, publicados no Brasil, em língua portuguesa, de 01 de janeiro a 31 de dezembro dos dois anos anteriores à edição de cada premiação. O ISBN deverá estar impresso no livro. As categorias poesia e conto foram privilegiadas tendo em vista a grande quantidade de prêmios já instituídos para a categoria romance. Assim, reconhecer a qualidade literária dos autores de poesia e conto com um prêmio relevante, incentivar a diversificação das edições e aproximar os leitores com a aquisição das obras premiadas para as bibliotecas públicas da rede estadual e para os Pontos de Cultura, confere ao prêmio Moacyr Scliar uma abrangência e um significado cultural que nenhum outro no país tem alcançado. A cada edição, uma categoria será privilegiada: em 2011, Prêmio Moacyr Scliar de Literatura – Categoria Poesia; em 2012, Prêmio Moacyr Scliar de Literatura – Categoria Contos. Nos anos seguintes, sempre será alternado: em um ano, poesia; no outro, conto.
O prêmio tem o patrocínio da Petrobrás e do Banrisul e será impresso pela CORAG. O autor vencedor receberá R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), e a editora R$ 30.000,00 (trinta mil reais) para uma nova edição da obra premiada. O Prêmio Moacyr Scliar de Literatura é o único que premia o autor e a editora , e leva o livro vencedor até os leitores, com a distribuição de livros na rede de 520 bibliotecas públicas dos Rio Grande do Sul ou seja, premia também os leitores. Também são apoiadores do prêmio a Agência Matriz e a Associação Lígia Averbuck.
Plácido Domingo, o tenor, cantou ontem parte da vida e obra do poeta chileno Pablo Neruda na estreia em Paris de “Il Postino”, adaptação para ópera do aplaudido filme “O Carteiro e o Poeta”, do cineasta inglês Michael Radford. Plácido encantou o público com sua interpretação em espanhol de Neruda e da relação amistosa que o Nobel de Literatura chileno travou com o carteiro italiano Mario Ruoppolo durante seu exílio político em uma ilha mediterrânea. Na ópera, Neruda, estabelecido na ilha com sua mulher, Matilde, inicia uma amizade com o carteiro que lhe traz toda manhã a correspondência que chega de seu país, e inicia o italiano na arte da poesia para ajudá-lo a conquistar a bela Beatrice Russo. A obra prossegue com a volta ao Chile do poeta e seu retorno anos depois à ilha, onde comprova que Ruoppolo foi assassinado durante uma manifestação política. Uma salva de aplausos ininterrupta de quase dez minutos, na primeira noite das quatro sessões programadas no Théâtre du Châtelet, confirma o entusiasmo do público francês por um dos cantores clássicos mais célebres da atualidade. A representação foi ao mesmo tempo uma homenagem a seu compositor, o mexicano Daniel Catán, morto em abril deste ano enquanto preparava uma nova ópera baseada em um filme de Frank Capra. Adotando uma postura realista em cena e apoiado por projeções fotográficas, Plácido cantou os aprazíveis dias do poeta durante sua estada no sul da Itália com um lirismo que, como previu em entrevistas antes da estreia, era capaz de não deixar “um só olho seco” em todo o teatro. As imagens cinematográficas que se desprendem da obra lembraram a vontade dos produtores de “estabelecer paralelos entre o cinema e a ópera” para atrair novos admiradores, declarou o diretor da ópera parisiense Jean-Luc Choplin dias antes da estreia. O Théâtre du Châtelet, coprodutor da obra junto com as óperas de Viena e Los Angeles, espera que o espetáculo viaje em breve para Madri, Chile, México e Itália, entre outros países. Não é a primeira vez que o tenor espanhol trabalha no que ele mesmo definiu como “experimento neocinematográfico”, uma vez que já protagonizou a versão lírica de “The Fly” (A Mosca), filme do canadense David Cronenberg.

Triste Terra, este é o significado, numa tradução livre, de Tristan Tzara, pseudônimo de Samuel Rosenstock, (Moineşti, 16 de abril de 1896 — Paris, 24 de dezembro de 1963) poeta romeno que passou a viver na França, tornando-se desta maneira um escritor francês. O nome foi escolhido para protestar o tratamento dos judeus na Roménia. Poeta e ensaísta, participou na fundação do movimento dadaísta em Zurique, em 1916. No ano seguinte, após a partida de Hugo Ball, Tzara assumiu o controle do movimento em Zurique. Proclamou a sua vontade de destruir a sociedade, os seus valores e a linguagem em obras como “Coração de gás” (1921), “A anticabeça” (1923) e “O homem aproximativo” (1931). Após o declínio do movimento dadá, Tzara envolveu-se no surrealismo, juntou-se ao Partido Comunista e à Resistência Francesa. Tudo isto fez com que em obras como “A fuga” (1947), “O fruto permitido” (1956), “A Rosa e o Cão” (1958), esteja patente uma consciência lírica, na qual traduziu as suas preocupações sociais e testemunhou a sua ânsia de defender o homem contra todas as formas de servidão. Sua obra ainda é muito atual e os anseios de uma sociedade podem ser lidos e sentidos nas poesias que consquistaram adeptos pelo mundo afora. Curta e leia abaixo alguns textos cheios de estilo e lirismo.
PRELIMINAR
cabelos desfeitos sentem a nuvem de sangue
do teu sangue frágil
lenta ao presságio do amor
lenta
pelas veias rumo à vibração hospitaleira
do teu sangue
lenta
febre frágil hipótese sem amor
dorme sem pálpebras os pés de lado
sobre a escala das costelas a tosse
balbucia sua pequena repetição aritmética
EU ESTOU IMPREGNADO
eu estou impregnado da tua presença
eu me formo em tudo e me transformo
eu me banho no perfume sedentário de teus vinhos
mas mil cabras oscilam no vazio
e se penduram nas paredes do teu canto
quando se levanta a aurora da tua voz
já não há mais a noite pois tudo é consciência
e fervor cintilante
é através de ti que as árvores florescem
e a primavera já desperta tremendo do frio
que passou
todo esquecimento se enraiza no teu riso
fronte erguida eu penetro na floresta estremecida
da tua alegria
AS JANELAS SE ABRIAM
as janelas se abriam sobre uma erva de sonho
confundidas entre os cursos da água
no calor dos tijolos selvagens
encharcavam no vinho
os espessos triunfos de poentes partidos
em breve a dor já não estará viva
e o último luar ceifará e sua emoção
e a dura amizade que uma mola em tensão
ligava à sua sombra – eu era apenas sua sombra-
VIA
qual é este caminho que nos separa
através do qual eu retenho a mão do pensamento
uma flor está escrita ao final de cada dedo
e o final do caminho é uma flor que caminha contigo
* * * * *
na escapada
o mundo
um chapéu com flores
o mundo
um anel feito por uma flor
uma flor flor para o buquê de flores flores
uma cigarreira repleta de flores
uma pequena locomotiva com olhos de flores
um par de luvas para as flores
na pele de flores como nossas flores flores de flores
e um ovo