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FERREIRA GULLAR

O poeta Ferreira Gullar venceu o 1.º Prêmio Moacyr Scliar de Literatura por seu livro “Em Alguma Parte Alguma” (José Olympio). Realizado pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Instituto Nacional do Livro e Associação Lígia Averbuck, o prêmio priorizou, na estreia, a poesia. Em 2012, só livros de conto participam. Gullar ganhou R$ 150 mil e a editora, R$ 30 mil. Uma edição especial será distribuída para bibliotecas públicas do Estado. “Fiquei feliz não só porque é a primeira vez que ele é dado, mas também por ele ter o nome de Moacyr, que era um amigo muito querido, um companheiro fraterno e um grande escritor.”

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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DOM PEDRO I

O escritor espanhol Javier Moro ganhou neste sábado a 60ª edição do Prêmio Planeta (o prêmio literário mais importante da língua espanhola) com seu romance ‘El imperio eres tú’, uma crônica minuciosa sobre a vida do imperador Dom Pedro I. O júri do prêmio, que distribui 601.000 euros para o ganhador, se pronunciou durante banquete para cerca de mil convidados, presidido pelos príncipes de Astúrias, dom Felipe e dona Letizia. O romance, apresentado na competição com o título de ‘El Emperador del fin del mundo’ sob o pseudônimo de Augustín San José, narra a vida de um dos monarcas mais surpreendentes e pitorescos, um homem que sempre esteve do lado da história, da liberdade, em uma época de monarquias absolutistas. Madrilense, filho de mãe francesa, Moro viajou por meio mundo e colaborou como jornalista ‘freelance’ com importantes meios de comunicação de língua hispânica e também no meio audiovisual, produzindo e roteirizando o filme ‘Valentina’ (1982), baseado no romance ‘Crónica del Alba’, de Ramón J. Sénder. Estiveram presentes à 60ª edição do prêmio, entre outros, a ministra da Cultura espanhola, Ángeles González-Sinde, o presidente do governo autônomo catalão (la Generalitat), Artur Mas, e o prefeito de Barcelona, Xavier Trias.

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JABUTI

As inscrições para o prêmio Jabuti, o mais tradicional da literatura brasileira, começaram dia 23 de março no site www.premiojabuti.org.br. Para a 53 edição, o troféu sofreu sua maior mudança, tudo para evitar o boicote anunciado no ano passado pelo Grupo Editorial Record e atingir a marca de 3 mil obras inscritas. O número de categorias subiu de 21 para 29. Agora serão homenageados apenas o principal livro de cada uma delas – até o ano passado, os três primeiros eram premiados. Além disso, só os ganhadores de cada categoria concorrem aos prêmios de livro do ano de ficção e não ficção. O curador do prêmio, José Luiz  Goldfarb acredita que as mudanças valorizam o vencedor e toda a cadeia produtiva. No ano passado, a premiação causou polêmica ao escolher “Leite Derramado”, de Chico Buarque, como o livro do ano de não ficção, embora na categoria romance, ele ficou em segundo lugar. Além do boicote, o fato gerou uma petição na internet, pedindo que Chico devolvesse o prêmio. Karine Pensa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora do Jabuti, disse que a polêmica e discussão causada ano passado beneficiou o concurso, mas cá para nós não é bem assim. Digamos que ela está sendo gentil, pois as revoltas de editoras, escritores e afins acerca do resultado, de certa forma, mancharam a imagem do Prêmio Jabuti, tão consagrado e que já premiou profissionais bem mais merecedores. O romance de Chico Buarque passa longe de ser considerado o melhor do ano deixando um rastro de politicagem incorreta e “puxação de saco”. Vamos ver o que acontece este ano!

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GOSTO QUANDO TE CALAS

Para hoje um poema de Pablo Neruda. Pseudônimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu a 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile. Poeta chileno, considerado um dos mais importantes literatos do século XX. Seu pseudônimo foi escolhido para homenagear o poeta tcheco Jan Neruda. Sua obra é lírica, plena de emoção e marcada por um acentuado humanismo. Em seu livro de estréia, com apenas 20 anos, Crepusculário (1923), já se assinou Pablo Neruda que, em 1946, passou a usar legalmente. Sua fama tornou-se maior com a publicação de vinte poemas de amor e uma canção desesperada (1924). Alternando a vida literária com a diplomática, Pablo Neruda era o embaixador chileno na França quando ocorreu o golpe de Estado que depôs o presidente Salvador Allende. De volta ao Chile, sofreu perseguições políticas e morreu pouco depois, sendo enterrado em sua casa de Isla Negra, ao sul do Chile. Em sua obra destacam-se Residência na Terra (1933), España en el corazón (1937, inspirado na Guerra Civil Espanhola), Canto Geral (1950), Cem sonetos de amor (1959), Memorial de Isla Negra (1964), A espada incendiada (1970) e a autobiografia póstuma, Confesso que vivi (1974), um emocionante testemunho do tempo e das emoções de um grande poeta. Em 1971, Neruda recebeu o Prêmio Nobel de Literatura e o Prêmio Lênin da Paz. Antes havia sido agraciado com o Prêmio Nacional de Literatura (1945). Morreu em 1973.

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.
 
Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.
 
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
 
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longínquo e singelo.
 
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.

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