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AQUELES QUE JÁ FORAM EMBORA

De tudo o que se pode guardar nessa vida talvez o mais nobre e mágico seja guardar a memória. Organizar o passado, engavetar as idéias que descansam em berços esplêndidos não é tarefa fácil, pois depende de dedicação que vai além dos olhos. Tenho admiração por uma bela guardiã que é a Biblioteca Nacional, provavelmente a maior guardadora da história de todos nós. Entre todos os seus habitantes certamente os livros são os que mantêm o endereço na imortalidade ou enquanto durar o cuidado que se tem com eles. Permanecem lá, em suas casas de estantes, silenciosos, dormentes até que venha alguém e os acordem para uma viagem. São acompanhados por leitores vivos, de carne e osso, e também por aqueles que já não fazem parte deste mundo.

Outro dia, chegando para visitar meu pai, me surpreendi com a reportagem na TV que falava sobre os leitores invisíveis da biblioteca nacional. Segundo os funcionários as histórias peculiares de fantasmas freqüentadores do local vão muito além de lendas assustadoras, são fatos reais, testemunhados. Barulhos estranhos, vozes, sensações são relatadas por quem já ouviu, sentiu e até viu. Certa vez, conta José Augusto, que lá trabalha há mais de 30 anos, estavam ele, uma moça e um rapaz em horário de expediente quando passou uma senhora no meio deles. A moça começou a chorar na mesma hora, o rapaz ficou pálido e José foi atrás da senhora para saber aonde ela ia, mas quando esta dobrou a curva da estante desapareceu. Os dois, o rapaz e a moça, pediram demissão. José também conta que todos os dias quando abre a porta da seção em que faz seu trabalho tem a impressão que o ambiente está lotado, mas quando acende a luz não há ninguém. Os imortais também se rendem a estas histórias e acreditam que os habitantes do além por lá circulam sim e adorariam, como qualquer um de nós, encontrar em algum corredor com Machado de Assis ou com Carlos Drummond de Andrade.

Isso tudo acontece lá no Rio de Janeiro, porém, tenho certeza que também passeiam aqui em Jaraguá, na biblioteca, aqueles que já foram embora, que não podemos ver nem ouvir, mas que sucumbem de saudade dos livros e assim vem passear entre as estantes lotadas. Não tenha medo, não fique preocupado e não hesite em continuar indo a bibliotecas por causa dos fantasmas. Eles estão lá quietinhos, não incomodam e só desejam, como eu e você, apaixonados por livros que somos, serem guardadores de palavras.

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JOÃO PAULO CUENCA

O escritor João Paulo Cuenca faz sua estreia como diretor teatral. Segundo ele “O trabalho do romancista é muito solitário, é desgraçado. Um inferno. Vou continuar escrevendo meus livros, mas tenho necessidade de alguma interlocução mais presente, mais humana”. Assina, em parceria com Fernanda Félix, a dramaturgia e a encenação de “Fragmentos”, espetáculo que entrou em cartaz fim de fim de semana passado no Espaço Oi Futuro, do Rio, e que é, declaradamente, inspirado em “Fragmentos de um Discurso Amoroso”, o celebrado livro de Roland Barthes. João toma emprestado do autor francês a imagem desse ser enamorado que fala constantemente de si diante do outro. Alguém que cria, no próprio discurso, uma história de amor. História essa que a linguagem não cessa de reinventar e ressignificar. O mote da peça pode ser o mesmo do livro, mas a forma de engendrá-lo é diversa. O formato palimpséstico utilizado por Barthes, que movimenta recortes do tecido amoroso, não vai à cena. Na contramão, “Fragmentos” tenta erigir uma narrativa. Repousa sobre o percurso de um casal. Ainda que isso não signifique uma fábula coesa, com princípio, meio e fim. Não é a primeira vez que João Paulo Cuenca envereda pela dramaturgia. E, ao que parece, não será a última. Antes de “Fragmentos”, ele escreveu “Terror”, texto que mereceu encenação de Pedro Brício. Em 2010, também ensaiou os passos como roteirista de televisão: foi um dos autores da série “Afinal, O que Querem as Mulheres?”. Agora, o próximo plano é lançar-se como cineasta.

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OFÉLIA DE HAMLET

 

Um especialista da Universidade de Oxford encontrou documentos que comprovam uma história real capaz de ter inspirado o dramaturgo William Shakespeare para o triste final de Ofélia em sua obra Hamlet. Steven Gunn descobriu documentos de um legista da época que relata a morte de uma menina chamada Jane Shaxspere, possivelmente prima do escritor, que morreu afogada em 1569 ao cair em uma represa quando colhia flores perto de um moinho em Stratford-upon-Avon, cidade natal de Shakespeare. Gunn, que participou de um projeto ao longo de quatro anos de acadêmicos da Universidade de Oxford sobre possíveis fontes de inspiração do poeta e dramaturgo, acredita que há uma grande similaridade entre a tragédia ocorrida com essa menina e a morte de uma Ofélia enlouquecida, que caiu nas águas profundas de um rio. As lacunas biográficas da vida de Shakespeare tornam difícil saber com certeza se uma prima ou outra familiar dele morreu afogada na juventude do futuro escritor em Stratford. Emma Smith, da Universidade de Oxford, citada nesta quarta-feira, 08, pela rede britânica BBC, diz que é muito provável que Shakespeare tenha sabido do fato, que ressurgiu em sua mente enquanto escrevia a cena da morte de Ofélia, que inspirou desde então poetas e pintores. Há outras teorias sobre a possível inspiração para o personagem de Ofélia, incluída a história da morte, também afogada no rio Avon perto de Stratford, de Katharine Hamlet, dez anos depois da de Jane Shaxspere. O projeto de pesquisa da Universidade de Oxford revelou mortes pelas mais diversas causas na época, entre elas as de algumas pessoas devoradas por ursos e acidentes de arqueiros.

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BIENAL DO RIO

A Bienal do Livro do Rio de Janeiro vai receber quatro autores internacionais em sua 15ª edição. Anne Rice, Michael Connelly, Alyson Noël e Susan Casey estarão no evento que acontece entre 1 e 11 de setembro.  A norte-americana Anne Rice é famosa pelo romance Entrevista com o Vampiro e vem ao Brasil para o lançamento de De Amor e Maldade (Editora Rocco), segundo volume da trilogia iniciada com Tempo dos Anjos de Amor e Maldade. Seus livros já somam mais de 75 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Michael Connelly é um dos principais nomes da literatura policial contemporânea, autor da série de livros protagonizados pelo detetive Harry Bosch. Entre seus romances mais famosos está o policial Echo Park, traduzido em 35 idiomas. Susan Casey é autora de A Onda, best-seller de 2010 que investiga os efeitos das ondas gigantes, em um levantamento feito entre surfistas radicais, cientistas e marinheiros.  Alyson Noël, popular entre o público juvenil, é ator da série Os imortais, com mais de 140 mil exemplares comercializados no Brasil. O quarto volume da saga, Chama Negra, acaba de ser publicado pela editora Intrínseca, que prepara ainda para este ano o quinto (Nightstar) e a estreia da nova série Radiance.



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