Tag trilogia

TRILOGIA HEMINGWAY – PARTE II

Nesta segunda crônica da trilogia de Hemingway, sobre o livro que achei perto da prateleira de sabão em pó num mercado, conto sobre sua amizade e convivência com outros dois grandes escritores, Scott Fitzgerald e James Joyce. Excêntrico e beberrão, Scott protagonizou grandes “barracos” públicos com sua mulher Zelda, cujo comportamento impulsivo e escandaloso a tornava uma mulher desequilibrada aos olhos alheios. A relação dos amigos Fitzgerald e Hemingway era conturbada porque Scott não suportava os conselhos sinceros de Ernest, isto é, a verdade nua e crua. Certa vez, Ernest aconselhou o colega que se encontrava à beira da falência e do alcoolismo: “Você deve acolher sua própria tragédia, pois escritores sérios têm de sofrer de maneira realmente penosa antes que possam escrever seriamente” e mais “Você deve extirpar a dor de maneira honesta. A essa altura da vida, ferido como está, pode escrever duas vezes melhor, com álcool ou sem álcool. Com ou sem Zelda”. Intransigente e bravo Scott interpretou mal, não aceitou os conselhos e os dois brigaram de forma séria.

A segunda dupla, Ernest e James se conheceram em 1921 e conviveram até a morte (de Joyce). Segundo ele, Joyce era um homem bom, porém, muito desagradável, orgulhoso e extremamente rude com os amigos, principalmente em conversas que envolvessem o ato de escrever. Apesar de encrenqueiro tinha seus medos, um deles era o de relâmpagos. Assim como Scott, gostava de beber, tomava porres homéricos e era levado para casa geralmente por Hemingway. Nos bares de Paris frequentes vezes gerou brigas por suas declarações ríspidas com pessoas as quais alegava serem imbecis.

Três amigos, três escritores que atravessaram os séculos com suas obras literárias e que expunham uns aos outros suas fraquezas de uma forma tão humana que fica difícil relacionar o que escreveram com as características aqui descritas. Alguém diria que quem escreveu Ulysses era rude e briguento? E quem desconfiaria que o Prêmio Nobel Hemingway denominaria a Fama que os livros lhe trouxeram de prostituta, cuja irmã mais nova é a Morte?

Depois de saber de tudo isso só me restou juntar na prateleira de minha modesta biblioteca três livros dos três mosqueteiros. Em tamanho Ulysses devora os contos de Fitzgerald e O velho e o mar, porém, este é só um detalhe estético, pois conforme afirmou Hemingway “Não há amigo que seja mais fiel do que um livro”.

seja o primeiro a comentar

JAMES ELLROY

 

 

Um dos principais autores do romance noir, James Ellroy –um dos convidados da Flip 2011– fecha sua trilogia sobre o submundo americano com “Sangue Errante” (os volumes anteriores eram “Tabloide Americano” e “Seis Mil em Espécie”). Ambientada na Los Angeles entre os turbulentos anos 60 e 70, a história segue as intrigas de policiais corruptos e políticos que existiram na vida real, em meio a falsos relatórios do FBI. Lançamento da Record, o título foi traduzido por Ivanir Alves Calado. Leia um trecho…

Los Angeles, 24/2/1964
De repente:
O caminhão de leite fez uma curva fechada à direita e raspou o meio-fio. O motorista perdeu a direção. Pisou no freio em pânico. Causou uma derrapagem de traseira. Um carro blindado da Wells Fargo bateu no caminhão de leite de frente/lado. Ouve só isso: 7h16. Sul de L.A., esquina da 84 com a Budlong. Área residencial para negros. Casebres desprezíveis com terrenos cobertos de sujeira na frente. O choque fez os dois veículos pararem. O motorista do caminhão de leite bateu no painel. A porta do lado do motorista se escancarou. O motorista tombou e bateu na calçada. Era um negro com cerca de 40 anos. O carro blindado ficou com alguns amassados no capô. Três guardas saíram para verificar os estragos. Eram brancos com uniformes cáqui apertados. Usavam cintos Sam Browne com coldres fechados com botões de pressão. Ajoelharam-se ao lado do motorista do caminhão de leite. O cara estremeceu e ofegou. A pancada no painel tinha aberto um talho na testa. Sangue pingava nos seus olhos. Ouve só isso: 7h17. Céu nublado de inverno. Rua calma. Sem tráfego de pedestres. Sem burburinho provocado pela batida de carro, ainda. O caminhão de leite arfou. O radiador estourou. Uma nuvem de vapor sibilou e se espalhou até longe. Os guardas Continue lendo »

seja o primeiro a comentar

LABIRINTO DE NOMES

“Meu nome é Florbela” disse ela. “Humm, que interessante! E o que faz perdida aqui nessa viela?” perguntou o moço alto. “Vim procurar minha amiga Gabriela” parecia assustada. “O nome dela rima com seu nome não é?” “É. Isso mesmo senhor.” Ficou mais à vontade. “E o nome das duas rima com canela e…vejamos…também com cidadela que lembra Compostela. Isso para não falar de mortadela e de costela. Que legal. Gosta de seu nome menina bela?” “Sim, gosto muito”. Parafraseando o romance Cidade de Vidro, da incrível Trilogia de Nova York, de Paul Auster, onde o destaque para nomes ganha uma importância singular, o diálogo acima ressalta as características curiosas que um nome pode despertar numa leitura. O seu nome, o meu não foram escolhidos por acaso, nossos pais criaram associações, semânticas ou não, quando nascemos, para a escolha de como o mundo irá nos chamar por toda a vida. É quando se passa a ser personagem de si mesmo a partir do batismo e, assim, segue-se pela estrada da existência arrastando, de forma prazerosa ou não, a bagagem de ser a Maria, o João, o Pedro, a Andréia, a Denise, o Ricardo e por aí segue a lista. Nomear algo me coloca numa intrincada e angustiante teia de dúvida e me ative a isso há algum tempo atrás quando penetrei num labirinto de nomes e comecei a pesquisar significados para personagens de um romance que estou escrevendo. Tinha de ser forte o bastante para impregnar a ponto de torná-los inseparáveis de seus donos, digo, os nomes. Embora pudesse apagar e mudar as denominações na hora que desejasse, graças ao processador de texto, na prática, não funciona assim, pois à medida que a história vai acontecendo o personagem ganha vida e não se pode matá-lo a qualquer momento com a assassina tecla delete e simplesmente colocar outro no lugar para continuar sua história. Literatura a parte, pulemos para a vida real onde o papel dos pais na escolha do nome dos filhos é um elemento poderoso e só conseguimos “habitar” esse mundo cruel quando o dito cujo é sacramentado no papel num cartório. E, vamos combinar, talvez a vida possa se tornar complicada para alguém que se chama (acredite, existem pessoas com esses nomes) Pombinha Guerreira, Necrotério Pereira, Mijardina Pinto, Lança Perfume de Andrade, Faraó do Egito Souza, Bucetildes Cruz (chamada pela família de Dona Tide), Cantinho da Vila Sampaio. Ou se torne doce e encantada para Catherine, Vitória, Juliet, Gabriel, Lucas. A lista é grande e, caros leitores, aqui encerro dizendo que adoro e agradeço por me chamar Elyandria embora nunca tenha encontrado o significado.

seja o primeiro a comentar

BIENAL DO RIO

A Bienal do Livro do Rio de Janeiro vai receber quatro autores internacionais em sua 15ª edição. Anne Rice, Michael Connelly, Alyson Noël e Susan Casey estarão no evento que acontece entre 1 e 11 de setembro.  A norte-americana Anne Rice é famosa pelo romance Entrevista com o Vampiro e vem ao Brasil para o lançamento de De Amor e Maldade (Editora Rocco), segundo volume da trilogia iniciada com Tempo dos Anjos de Amor e Maldade. Seus livros já somam mais de 75 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Michael Connelly é um dos principais nomes da literatura policial contemporânea, autor da série de livros protagonizados pelo detetive Harry Bosch. Entre seus romances mais famosos está o policial Echo Park, traduzido em 35 idiomas. Susan Casey é autora de A Onda, best-seller de 2010 que investiga os efeitos das ondas gigantes, em um levantamento feito entre surfistas radicais, cientistas e marinheiros.  Alyson Noël, popular entre o público juvenil, é ator da série Os imortais, com mais de 140 mil exemplares comercializados no Brasil. O quarto volume da saga, Chama Negra, acaba de ser publicado pela editora Intrínseca, que prepara ainda para este ano o quinto (Nightstar) e a estreia da nova série Radiance.



seja o primeiro a comentar