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FIGUEIREDO E FERRONI

Anunciados anteontem como vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura, Rubens Figueiredo e Marcelo Ferroni devem se juntar aos ganhadores das três edições anteriores em viagens ao exterior promovidas pelo Itamaraty. O Ministério de Relações Exteriores informou ao governo do Estado de São Paulo o interesse em incluí-los em sua estratégia de divulgação da cultura brasileira em outros países.

O Prêmio SP é o maior prêmio do gênero em termos financeiros no espaço lusófono, com R$ 200 mil para cada vencedor, e faz parte do patrimônio nacional. A ideia é promover os autores com todas as ferramentas disponíveis. A iniciativa deve valer para feiras literárias e lançamentos das obras no exterior – “Passageiro do Fim do Dia”, o romance de Rubens Figueiredo vencedor na categoria livro do ano, ainda não teve direitos comprados, mas “Método Prático da Guerrilha”, que garantiu a Marcelo Ferroni o prêmio na categoria autor estreante, foi adquirido por editoras na Espanha, na Itália, na Alemanha e em Portugal.

A quarta edição do prêmio, cuja cerimônia de entrega aconteceu anteontem à noite no Museu da Língua Portuguesa, atraiu a inscrição de 221 romances publicados ao longo de 2010 – ante 146 da primeira edição, em 2008, como lembrou o secretário de Cultura, Andrea Matarazzo. A seleção final desta edição ficou a cargo de Ignácio de Loyola Brandão, Alexandre Martins Fontes, Ruy Altenfelder, Regina Dalcastagnè e Francisco Foot Hardman.

Ao ser anunciado vencedor na categoria autor estreante, Ferroni destacou a importância da premiação Continue lendo »

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DUBLINESCA

Leia trecho de Dublinesca, o novo romance de Enrique Villa Matas, lançado recentemente no Brasil pela Cosac Naify. Um romance com as obsessões já conhecidas pelos fãs do autor: a ligação entre a vida e a literatura; a insatisfação que leva os personagens a assumirem identidades diferentes; o isolamento e o fim irremediável da condição humana.

Sinopse – narra a história de um renomado editor catalão, Samuel Riba, que chega à meia-idade imerso numa profunda crise existencial, amorosa, sentimental e histórica. Abstêmio e aposentado, trocou o álcool pelo computador e ressente-se da falta de uma vida social agitada, com autores e eventos literários. Riba deseja estar em Nova York, “o centro do mundo”, onde vive seu amigo Paul Auster. Mas seu provincianismo, e a vontade de dar o que chama de “salto inglês”, o faz buscar refúgio em Dublin, na Irlanda. Lá, guiado pelo Ulysses, de James Joyce, e imaginando-se testemunha da grande crise editorial do século – o atropelo do livro impresso pelo digital –, Riba pretende comemorar o bloomsday e promover um “funeral íntimo” de uma época: velar a passagem da era de Gutenberg para a do Google.

“Pertence à estirpe cada vez mais rara dos editores cultos, literários. E, comovido, assiste todos os dias ao espetáculo de como o ramo nobre de seu ofício – os editores que ainda leem e que sempre foram atraídos pela literatura – vai se extinguindo sigilosamente, no começo deste século. Teve problemas há dois anos, mas soube fechar a tempo a editora que, no fim das contas, mesmo tendo obtido um notável prestígio, caminhava com assombrosa obstinação para a falência. Em mais de trinta anos de trajetória independente, aconteceu de tudo, sucesso, mas também grandes fracassos. A falta de rumo da etapa final ele atribui a sua resistência a publicar livros com as histórias góticas da moda e outras bobagens, e dessa forma esquece parte da verdade: que nunca se distinguiu por sua boa gestão econômica e que, além disso, talvez pudesse ter sido prejudicado por seu fanatismo desmesurado pela literatura.

Samuel Riba –Riba para todo mundo– publicou muitos dos grandes escritores de sua época. De alguns, apenas um livro, mas o suficiente para que estes constem de seu catálogo. Às vezes, embora não ignore que no setor honrado de seu ofício restam em atividade outros valorosos quixotes, ele gosta de se ver como o último editor. Tem uma imagem algo romântica de si mesmo e vive numa permanente sensação de fim de época e fim de mundo, sem dúvida influenciado pela suspensão de suas atividades. Apresenta uma notável tendência a ler sua vida como um texto literário, a interpretá-la com as deformações próprias do leitor empedernido que foi durante tantos anos. Está, além disso, à espera de vender seu patrimônio Continue lendo »

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TRILOGIA HEMINGWAY – PARTE I

Entrando num pequeno supermercado penso em me dirigir direto para a prateleira de sabão em pó para pegar o produto que me interessava. Passo por um discreto aparador de revistas pelo qual nunca me interessei, pois o conteúdo é direcionado a culinária, tricô, crochê e outros assuntos domésticos do gênero. Naquele dia, ali, escondido, uma pontinha de um livro me chama a atenção e solto o carrinho para puxá-lo. Eis que descubro um livro lançado pela editora Larousse – de 2008 – cujo nome é A Boa Vida segundo Hemingway escrito por A.E. Hotchner. Autor de livros premiados, dentre eles The Rolling Stones and the desth of the sixties, Hotchner ficou amigo do escritor quando pediu que este escrevesse um artigo para uma revista onde trabalhava de free lance. Após aceitar o convite Hemingway o convidou para pescar e para outros pequenos passeios e acabou que durante quatorze anos Hotchner viajou ao seu lado para os mais inusitados lugares e aventuras. Assim, ele registrou uma série de experiências, comentários e observações feitas pelo escritor em papéis pequenos, em caixas de fósforos e guardanapos. Além disso, o livro é repleto de fotos em preto e branco que mostram, na intimidade, quase vinte anos da vida do escritor de “Por que os sinos dobram”, “O velho e o mar” e outros considerados clássicos da literatura mundial.

Vim para casa com o sabão em pó e o livro na mesma sacola e não acreditei quando comecei a lê-lo. Dividido em capítulos fala sobre o ato de escrever, guerra, esportes, Hollywood, caça, explorações, escritores, mulheres, vida e morte. Todos com fotos em momentos únicos do escritor, autorizadas a serem publicadas por seu filho Jack, agora já morto, e com comentários divertidos e pungentes que são o verdadeiro retrato de sua personalidade única e de seu gênio notável. Através do livro é possível traçar um panorama de quem realmente foi o escritor, seus amigos, a paixão desmedida pelas mulheres, o medo da morte, a sinceridade ácida estampada em afirmações que mesmo hoje chocariam algumas pessoas.

Não teria como descrever toda a beleza do livro num único texto, então, a partir de hoje escreverei uma pequena série de três artigos sobre a visão de mundo de Hemingway. Só para deixar o gostinho encerro com duas citações: “Para poder escrever sobre a vida, primeiro você deve vivê-la!” e “Durante toda a minha vida, olhei para as palavras como se as estivesse vendo pela primeira vez”.

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AS VIAGENS DE GULLIVER

Estréia hoje nos cinemas “As Viagens de Gulliver”, clássico da literatura inglesa, escrito por Jonathan Swift. Contudo, o filme não segue à risca o livro. No livro, a história pode ser interpretada de várias formas, dependendo de quem a lê. Agrada às crianças, mas por trás dela há uma sátira à sociedade do final do século 17 e início do 18, criticando a política inglesa contra a Irlanda e as guerras travadas entre Reino Unido e França. As Viagens de Gulliver é mais um drama, mas não na adaptação cinematográfica. O filme só aborda a primeira viagem de Gulliver à terra de Lilipute, com uma breve passagem pela ilha de Brobdingnag. No livro, Gulliver passa por outros países imaginários, como Laputa e a terra de Houyhnhm, que sequer são citados no longa.

 Apenas fatos chaves do livro estão no filme, o resto é tudo invenção. Da obra literária, estão momentos como o naufrágio, a captura de Gulliver pelos pequenos seres, a ajuda que ele dá na guerra contra a nação dos Blefuscu, e a antológica passagem em que Gulliver apaga um incêndio no quarto da rainha urinando em cima dele.

O longa adapta a história para os dias atuais. Gulliver é um office boy de um jornal. Há dez anos, sua única função é entregar as correspondências para os jornalistas, sendo que alimenta um amor platônico pela editora. Num dia ele cria coragem e vai falar com ela, dizendo saber escrever muito bem. Ela acredita e o manda fazer uma reportagem sobre o Triângulo das Bermudas. Lá ele sofre um naufrágio e vai parar na ilha imaginária de Lilipute.

 É na ilha que Black imprime seu estilo. De bermuda e chinelos, o Gulliver do século 21 encontra uma micro sociedade do século 17. Lá, ele conta para os pequeninos habitantes trechos dos filmes “Guerra nas Estrelas”, “Avatar” e “Titanic”, entre outros, dizendo ser sua própria história, além de colocar Guns and Roses para tocar no seu aparelho iPod. O mais bizarro e fora do contexto ainda está por vir. Trata-se de um robô gigante, bem ao estilo do filme “Transformers”, construído pelos liliputianos para desafiar Gulliver.  O filme deixou de lado absolutamente toda a complexidade do livro, que se tornou um clássico que atravessa gerações. Há cópias em 3D, mas o filme não foi feito nesse formato.

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