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Gonzaguinha, um texto de Nilza Vilhena

Apresento hoje um texto da Nilza Vilhena:

Gonzaguinha

Neste 29 de abril completamos 20 anos sem Gonzaguinha. O grande compositor e músico, filho do Rei do Baião Luiz Gonzaga, nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Se um acidente automobilístico não ceifasse sua vida há 20 anos, Gonzaguinha hoje, estaria na terceira idade e, mais maduro, com certeza continuaria nos surpreendendo com sua genialidade musical.  
Economista de formação, aprendeu violão observando o padrinho, com quem morou desde os 7 anos, quando sua mãe morreu e seu pai, que viajava muito, não podia cuida-lo. De si, dizia que não era músico, e que talvez nunca chegasse a ser. Era sim, um compositor que também cantava e tocava violão. Suas letras sempre banhadas por uma sensibilidade à flor da pele demonstram que, embora não se reconhecesse como tal, foi um grande poeta. Em seu trabalho há letras que ressaltam o universo feminino, as relações amorosas e os laços de família.
Mas, também, há trabalhos que nos mostram um profundo conhecimento da sociedade, do ser humano, da política, nos presenteando com letras precisas e corajosas com um admirável compromisso social. Gonzaguinha compôs sua primeira música com 14 anos. Foi perseguido pela ditadura chegando, naquela época, a ter 54 de 72 canções vetadas. Suas músicas foram gravadas por diversos intérpretes como Luiz Gonzaga, MPB-4, Maria Bethânia, Marlene, Claudette Soares, Elis Regina, As Frenéticas, Simone, Nana Caymmi, Fagner, Agnaldo Timóteo e Joanna, entre outros. Gravou 23 LP’s e participou de 4 coletâneas.
Após sua morte sua obra foi remasterizada e faz sucesso até hoje. Gonzaguinha acreditava que só conseguiria o respeito do próximo se conseguisse se respeitar. Em sua vida e em sua carreira passou por muitas fases de circunspecto a irreverente, de prolixo a filósofo, e, quatro meses antes de sua morte declararia “…eu acho que estou aprendendo aos poucos… né? Eu espero que agora eu agrida menos as pessoas do que há alguns anos atrás, quanto menos eu agredir as pessoas no futuro, para mim é melhor!  Isso é o que eu acho que eu devo conseguir, e que aos poucos eu vou conseguindo, eu ainda tenho muita coisa pra aprender… devagar… e tal. Mas um dia quem sabe eu chego lá, quem sabe daqui a uns vinte anos… quem sabe? 
Para mim Gonzaguinha está eternizado em seu trabalho e em versos como “deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar”, “viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”, “o homem se humilha se castram seu sonho, seu sonho é sua vida e vida é trabalho e sem o seu trabalho o homem não tem honra…” e “…vamos lá fazer o que será”.

Nilza Helena da Silva Vilhena, escritora. Autora do livro de contos “Quinione”

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